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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Diante do mar...


Praia do Sambaqui, Floripa, 01/MMX

De tão azul, o céu parecerá pintado
Assim... com aquele anil que traz paz
e tranquilidade àquele o vê e contempla
Abri, então, as janelas as pressas e com esperança
Fugiu para fora aquilo que chamam de medo
Também se foram bem fugazes: a tristeza e a saudade

Vou viajar! Quero voar! Resolvi apressado
Já que é tempo de grandes realizações, quiça, de felicidade
Eu fui, eu vou, com pressa, surpreso, pressuroso
Porque apesar de ser longa essa viagem
Um dia, é certo, eu chego!

[Luifel] 

Crédito da imagem: www.restaurantepitangueiras.com.br

sábado, 9 de janeiro de 2010

Que seja doce!




"Então que seja doce.
Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas,
para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias,
bem assim, que seja doce".


(Caio Fernando Abreu, Os dragões não conhecem o Paraíso)


A vida é, como disse Teresa d'Ávila, "uma péssima noite, passada numa péssima pousada". E a gente vai acumulando um punhado de vivências, as quais tem a capacidade de nos construir e de nos destruir de tal forma que, fico pensando: o que, no final das contas, nos faz sermos quem somos: nossas escolhas ou os fatos que vivenciamos no dia-a-dia?

Às vezes, e muitas, imagino ter uma casa de veraneio. Hoje, andando na Praia de Sambaqui, em Florianopolis, encontrei uma praia que me agradou, um lugar onde eu, de fato, construiria essa casa. Sabe, é daqueles lugares onde tudo parece sereno, tranquilo e onde se tem a sensação de tranquilidade, de que tudo vai dar certo.

Na praia do Sambaqui, na ponta do Sambaqui, sentindo o vento no meu rosto pensei...

E os ventos entraram pela janela, ventaram a casa, varreram aquele cheiro de mofo de coisas velhas, de sonhos não cumpridos, de ilusões perdidas. Eu poderia ser feliz a mais tempo, só preciso sair desse casulo que me circunda!

Logo, me veio no pensamento: "Então, que seja doce", como diria Caio...Que seja doce!

sábado, 26 de dezembro de 2009

Por que que a gente é assim?



“Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, sem dramas
Por que que a gente é assim?”

(Cazuza, Por que que a gente é assim?)

Esses dias estive acompanhando o noticiário e, ao mesmo tempo, lendo um livro de Stephen King. É bem verdade que ele não é meu autor favorito e também que o gênero terror não é dos que mais me apetecem, mas foi interessante porque fui ler uma história desse estilo bem numa época do ano onde a maioria das pessoas está, de alguma forma, embevecidas pela chamada ‘magia do Natal’

Confesso que tive que parar o livro com um misto de horror e, ao mesmo tempo, um senso de realidade tão enorme que me assustou. Comecei a refletir, depois de acompanhar os últimos noticiários e, comparando outros fatos acontecidos durante esse mesmo ano com os escritos de King, percebi o quanto a ficção dele está ficando próxima da realidade. Não é de se pensar que, não muito longe, os romances dele se tornarão roman à clef*?

Relembrei um texto que li – há muito tempo – sobre o fato de o homem, a espécie humana, o homo sapiens ser tão violento, assassino dos seus iguais e, ao mesmo tempo, demonstrar uma capacidade de ser caridoso, amável, solidário & fraterno cada dia mais inativa... Por que que a gente é assim?

Violências como aquela que aquele padrasto fez de injetar agulhas num bebê de apenas dois anos de idade, as guerras de religião ou as guerras étnicas, o fato do ser humano ter simplesmente trocado o verbo AMAR por qualquer outro verbo oposto ao amor, à fraternidade, ao bem comum é o que está o transformando num troglodita.

Quero marcar o meu retorno ao mundo bloguístico, com essa elucubração sobre todo esse absurdo que tenho visto e lido. Quem acompanha os jornais, revistas, noticiários da TV consegue quedar sua cabeça no travesseiro otimista com o futuro do ser humano diante disso tudo?

Certamente, o aquecimento global é um assunto de importância capital para o futuro da humanidade, mas, e a violência que o ser humano pratica contra o seu semelhante, por que ela nunca é matéria de um encontro internacional do mesmo porte?

Tenho estado, a cada dia, mais descrente realmente do ser humano! Será que tudo isso tem solução ou a fraternidade é, de fato, o princípio que foi sendo esquecido pela humanidade desde a Revolução Francesa? Será que um dia a fraternidade vai desaparecer do mundo? O ser humano vai sobreviver a isso?

Não tenho respostas no momento presente, quero ainda acreditar que no futuro vai ser diferente, sei que só depende de mim, de você, de nós mudar isso!

AbRrá!

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* à clef: expressão francesa que significa ‘baseado em fatos reais’, portanto um roman à clef é um romance baseado em fatos reais.

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