Esperando pelo novo...


"Abrir portas aos sonhos
É como pôr janelas ao vento."

(O mensageiro ferido, Emili Boïls)

Quando chegamos a essa época do ano, nos encontramos com sentimentos paradoxais. Alguns com sentimento de alívio e esperançosos pelo novo ano que vem, outros meio melancólicos pelo ano que fica para trás. É sempre assim na maioria das vezes. No fundo é bom, pois, ao menos sabemos que - esse ano que está se findando - foi vivido com intensidade, seja de alegrias ou de tristezas.

Já refleti - em alguns momentos desse ano - sobre o que eu penso sobre a felicidade em diversos momentos desse ano, por isso, penso que apesar de todas as dificuldades que vivi neste ano que se finda, eu subi mais um degrau rumo a minha felicidade plena.

Agora, porém, é o tempo de esperança. Os sofrimentos, lutas e dores do passado, do ano que finda, dão lugar a esperança de um tempo melhor. E esquecemo-nos de tudo o que passou, corremos como loucos em busca do novo. Sim, esse novo que encanta e assusta, mas que nos dá forças para continuar, porque temos esperança e, como diz o escritor valenciano Emili Boïls: "tudo é fácil quando se vive na esperança".


E um novo ano é isso: um novo recomeço, a esperança em algo totalmente novo, é um renascer. São as novidades da futura passagem do ano que alimentam a sede do homem pelo novo. Essa sede pelo novo é o que o motiva a cada dia viver o hoje e a buscar o futuro, sempre melhor do que foi ontem e está sendo hoje.


E assim vai sendo, sempre em busca do novo, do melhor, do mais perfeito, de ser mais plenos e felizes, em busca de uma vida nova.


Adeus 2008, e que venha 2009!

AbRrá a todos! Que os ventos soprem a favor de todos em 2009!

Il Natale...

“Gloria in altissimis Deo, et super terram
pax in hominibus bonae voluntatis”.

(Lc 2,14)

Alguns amigos meus me falaram rancorosamente sobre essa festa - que tenho imenso apreço - uns com raiva, outros com um ranso de cansaço e falsidade que as algruras da vida familiar acaba colocando em alguns corações.

Confesso que fiquei chateado de pensar que o Natal para as pessoas se tornou isso: uma festa calcada na falsidade, onde nossos rancores pessoais tomam lugar à possibilidade de vivermos bem e de tentarmos ser felizes novamente.


Quando Cristo veio à terra na forma de uma criança, certamente fez isso para unir o Homem novamente a Deus - assim eu, como cristão, acredito - ou seja, para reconciliar os que estavam em discordia, desunidos.
Por isso, sempre que chega o Natal, vejo-o como uma oportunidade para recomeçar tudo outra vez; esqueço minhas dores e começo a me encantar pelo encanto que tem esse tempo na nossa vida: as luzes, os pinheiros, o presépio e, principalmente, o rosto das pessoas que se enchem de gáudio pela festa próxima.

Me alegra poder ver a alegria na face das pessoas. Pode ser inocência minha, mas é algo que encanta - nesta sisuda cidade de São Paulo - ver como o clima da cidade se transforma. Todo mundo se torna mais manso, mais fraterno nessa época e meus amigos dizem que é tudo "falsidade"!
Eu, porém, não penso como eles.

Ainda acredito no ser humano e me deixo encantar pelo Natal. Ainda posso ver que o Natal - apesar de todo consumismo e dos rancores existentes - é capaz de deixar o homem mais humano, mais fraterno, mais pacifico, mais aberto à caridade.
Talvez, meus amigos estejam certos e o Natal possa ser tudo aquilo que eles dizem mesmo. Eu porém nunca vivi isso e vejo o Natal, mesmo com as dores e sofrimentos, como uma oportunidade de viver algo novo.

Penso que, se vemos o Natal somente pelo seu lado negativo, não confiamos na capacidade de renovação de nós mesmos e dos outros e isso, é falta de fé na vida, nos outros e - principalmente - falta de fé em si mesmo.

A todos os meus leitores, os melhores votos de FELIZ NATAL!


AbRrá!



Crédito da Imagem: retirada de http://sede-de-deus.blogspot.com. Representa uma cena comovente na vida de Francisco de Assis, cena na vida deste grande homem que me admira, sempre que leio.

Conspiração (ou busca) da Felicidade...


“I'm trapped inside my conspiracy of happiness”.

(On a High, Duncan Sheik)


É estranho como somos seres poéticos. Sim, somos seres totalmente poeticos! Muitos podem dizer que - Não, eu odeio poesia, romantismo etc - mas tudo isso é um simulacro hipócrita porque todos nós somos - de alguma forma - seres poéticos.

Todos nós corremos atrás daquilo que nos faz felizes, corremos desenfreadamente atrás da tal FELICIDADE. Sim, corremos desesperadamente porque nunca aprendemos a viver senão correndo atrás dela, sempre! Mas qual a correlação entre a busca da felicidade e o sermos poéticos? Simples, buscamos uma felicidade poética.

Todos queremos ser felizes de uma forma perfeita, mas esquecemos de algo importantíssimo - a capacidade humana de sermos falíveis. Esquecemos que somos errados, que os outros também são errados, que tudo é passivel de falhas e ficamos procurando, procurando e procurando. Acabamos, então, vivendo eternamente naquela coisa blasé que o Kid Abelha soube tão bem retratar na musica "Nada Sei".

De repente, somos mais um naquele mar de gente que se considera infeliz & triste & frustrada porque não encontrou a felicidade. Mas ai, me pergunto: A felicidade é pra ser vivida ou pra ser encontrada?

Será que não vivemos buscando a felicidade, enquanto tudo o que temos que fazer é tentar vivê-la?

Tenho medo de - no final da vida - reconhecer que deixei a oportunidade de ser feliz passar porque fiquei preso na minha conspiração ou busca da felicidade. No fundo, como disse antes, somos todos seres poéticos, vivemos buscando algo fantasioso e acabamos fugindo e perdendo o real, a beleza, o encanto e nobreza da realidade - nua e crua - porém, doce e terna, quando aprendemos a ciência do bem viver.

Bem, é mais ou menos isso!

AbRrá!


Crédito da Imagem: Retirada de: www.flickr.com/photos/mallmix/2060526186/

Crônicas de uma vida Bibliotecana....


Atores: Eva, Andréa (Apocrypha), Daniel (Urso) e Fábio (Gangs).
Narrador: Luifel

Take I

[Andréa de braços abertas]
Eva - Nossa! A Andréa ta de batom...!
Urso - Niver, niver, niver...
[Andréa ainda de braços abertos...]
Eva - Ah é...

Take II

Andréa - Eu não vou fazer tesauros no TheW32...
Fábio Gangs - O TheW32 pode ser usado até por um Macaco...
Andréa - Ok, então eu te dou uma banana!

Take III

Luifel - Acho que isso [take II] vai gerar um post no meu blog...
Urso - "Eu sou uma musa!"
Andréa - Isso é foda!
Fábio Gangs- Kkkkkk

[Nota do redator...: Descrições físicas de urso: 1,90, barbado e com quase 100kg... Damn it!]

Take IV

Os bibliotecanos lendo a entrevista da "genial" cantora teen Mallu Magalhães para zoar... De repente se deparam com a "elucidativa" frase...
"Acho que o mundo é completamente talvez" (Mallu Magalhães)

Fábio Gangs - É, acho que isso é meio blasé...

Esse sãos os gangs...

AbRrá!

A liberdade e nossa necessidade de afeição...

"À medida que se reconhecer - espírito, mente e corpo -
como verdadeiramente amado, tanto mais livre você será (...)."

(A voz intima do Amor, Henri Nouwen)

Estava lendo esses dias o Blog do Leonardo (Sound of Silence) e no comentário acabei por me inspirar a escrever esse post que se colocou antes do que eu pretendia escrever, mas esse virá no futuro. Parei pra refletir sobre as minhas atitudes principalmente esses ultimos dias.

É incrível como no nosso mundo de hoje existe uma doentia necessidade de afeição. Parece que somos um bando de pessoas carentes que precisamos das atenções dos amigos, da família, da namorada, de qualquer pessoa e infelizmente somos assim, como humanos somos dependentes de amor.

Infelizmente, o problema não está nessa necessidade de afeição, mas em sermos extremamente orgulhosos nesse aspecto, principalmente nós homens, que não queremos em momento nenhum demonstrar nossa fragilidade nesse aspecto, mas também nós, seres do sexo masculino, temos essa mesma necessidade.

Queremos parecer seguros, estáveis, prósperos e felizes. Queremos ser para os outros o modelo acabado de pessoa equilibrada e perfeita, um modelo a ser imitado, quando, na verdade não é bem assim que nós somos; vivemos sob máscaras porque temos medo ao mesmo tempo em que temos tanta necessidade de sermos e nos sentirmos amados.

Infelizmente vivemos numa mentira, mas podemos deixar de vivê-la. É preciso deixar o coração falar ao coração. Sim, somos fracos e somos carentes e precisamos muitas vezes deixar que as pessoas saibam disso.

Sim, deixar com que as pessoas saibam da sua carência, dos seus medos e das suas angustias, da sua solidão, do seu desespero, não vai fazer de você uma pessoa fraca. Não!

Nós existimos para compartilhar, para partilhar e para ajudarmo-nos uns aos outros. Quando eu reconheço que tenho necessidades afetivas, passo a ser o senhor da minha afetividade, começo a trabalhar as minhas necessidades afetividas e, a partir daí, sei conduzir a minha vida de forma coerente e até alçar uma verdadeira liberdade.

Quando eu reconheço e passo a demonstrar a minha verdade, me abro ao amor que os outros podem me proporcionar, sem cobrar nada, sem exigir nada e começo a perceber de que forma as pessoas podem me amar, e também que amar não é necessariamente sinônimo de carícias, beijos e abraços, mas, que amar vai muito além...

Só não somos verdadeiramente livres e felizes, porque somos presas da nossa própria afetividade desregrada e, muitas vezes, mal conduzidas sob máscaras de falsa felicidade e segurança. Quando aprendermos nos reconhecemos necessitados de amor, saber de que forma demonstrar isso e nos deixarmos ser amados, deixaremos a hipocrisia e seremos verdadeiramente livres e felizes...

AbRrá!

[Post escrito em 28/07/08]

Felicitas per dies...


Para meus amigos Kazuo,
Andréa (Apocrypha) e Cássio.
Porque a busca de vocês, me inspira!


Vivem em busca desenfreada por felicidade

Querem dar sentido a sua busca

Correm, correm e se cansam,

Nessa agitada correria da cidade.


Vivem em busca da sua felicidade

Mas não sabem esperar por nada
Comem pouco, dormem pouco
Trabalham muito, se estressam muito

E vivem quase na insanidade.

Pára! Deixa de buscar como louco!
Ser feliz é viver o hoje.

Felicidade, não é agitação ou correria
É simplesmente, viver bem o dia-a-dia.

(Luifel)

Sobre as ideologias e o sonhar...


"Ninguém mais quer sonhar..."
(Bob Dylan)

Estavamos esses dias discutindo na faculdade sobre a falta de ideologias atualmente e o desaparecimento ou enfraquecimento das que existiam anteriormente. Concluimos que a ausência de ideologias tem sido um verdadeiro câncer para o homem moderno. Filosofia barata de universitário, eu sei disso.

Infelizmente, apesar de o que discutimos ser 'filosofia barata' ela tem seu fundo de realidade. Hoje o homem tem se tornado apático, tem perdido sua vitalidade e tem se acomodado, e cada dia mais sofre com as mazelas humanas.

Antes, os sonhos e as ideologias faziam o homem buscar algo e tentar mudar. Hoje, sob a prerrogativa de estarmos sendo racionais não mais idealizamos nada. As ideologias geram no homem espectativas e sonhos, os quais já não existem hoje.

Assistimos à derrocada do socialismo e de diversas outras ideologias e não mais aceitamos as ideologias. Em consequência, vamos nos tornamos dia-a-dia mais céticos, por fim deixamos de sonhar. E a sabedoria popular diz que quem não sonha, morre. Infelizmente estamos morrendo, masserados pelas nossa mazelas e dores. Os racionalistas dizem que sonhar é alucinógeno, é alienante, é ópio. Porém, a razão, não tem aliviado as dores dos homens, que tem cada dia mais aumentado o câncer da descrença e da desilusão que anda nos masserando, massacrando, esmagando dia após dia.

Penso que o sonho até possa ser talvez, uma endorfina da realidade, mas desconheço outro caminho para aliviar a dor de um doente de câncer que não a endorfina. É claro que cancêr se acaba com quimioterapia ou cirurgia, mas, infelizmente alguns dos cânceres existentes na humanidade são coisas necessárias para a sua manutenção, infelizmente! Ficar sofrendo inutilmente, já que esta dor é necessária ou procurar aliviar a dor?

Eu prefiro usar a endorfina do sonho para aliviar as dores, já que algumas destas são necessárias para a manutenção da sociedade. Prefiro viver sob a endorfina do sonho do que tentar enfrentar sem sucesso as dores dessa realidade masserante e opressora que fazem do homem um ser cada dia mais frio, amargo, descrente e infeliz.

Tudo isso é uma grande utopia, verdade! Porém excesso de realidade também mata, e eu quero viver!

Chegadas e Partidas

"Eu bem que mostrei a ela,
o tempo passou na janela
e só Carolina não viu. "

(Carolina, Chico Buarque)

De repente estou sentado num banco numa estação de trem. Vejo homens de terno, jovens de jeans e camiseta; mulheres de vestidos, saias, taillers. Vejo crianças brincando com seus brinquedos, vejo adolescentes em clima de romance; vejo homens e mulheres apaixonados, vejo outros ainda frustrados, sorumbáticos, sombrios.

Vejo vidas passando, desfilando sob o meu olhar atento. Uns correm, outros caminham devagar, todos vivendo ou tentando viver nessa doentia correria. Enquanto estou eu, sentado, admirando o tempo passar.

Os anos passam velozmente e me sinto como se estivesse sempre parado. Penso que o tempo anda passando e eu estou na janela só admirando, como a Carolina na música de Chico. Carolina não viu o tempo passar; eu vejo cada dia o tempo passar doloroso e suplicante. Pra ser franco, não sei exatamente o que faço aqui parado nessa estação de trem.

Talvez tudo não passe de um pesadelo, talvez porque eu tenha tantos medos, tantas dores, tantos fracassos nas costas. Quem dera fosse mentira, um simulacro, mas é tão real quanto esse banco, esse trem, esses homens e mulheres e crianças que me cercam aqui, agora!

E o trem não fica parado. Ei-lo partindo, seguindo seu rumo. Outros passageiros precisam desembarcar, só eu fico. Um dia eu chego no meu destino, quem sabe. Por enquanto eu vou esperando, esperando, esperando...

Papéis avulsos...


"Cada manhã, ao despertar, você começa uma nova vida,
viçosa, dinâmica e cheia de otimismo.
Mas se a caminhada ficar novamente difícil,
continue andando para frente, (...), e alcançará a meta."

(O Caminho da Esperança, Cardeal Van Thuan)


Diante disso é que eu tenho uma certeza: Quero continuar a caminhar. Mesmo que em meio às dificuldades e às pedras. Pois a esperança, pode frustrar, mas ela nunca engana nunca.

AbRrá!

Um café...


Tomar um café
Esquecer da vida
Compartilhar sentimentos
E experiências vividas.

Tomar um café
Esquecer por um momento
Quão dura é a realidade
Malfado pensamento!

Tomar um café,
Comer um pão de queijo.
Quem sabe numa dessas
Não me dá ela um beijo!

(Luifel)

Cinestesia urbanóide

(Ao som de Roda Viva, Chico Buarque)

Caminhava na Paulista e observava as pessoas, um mundo de diversidades! Eram os cults com camisetas de universidades, os executivos sisudos que saiam com seus ternos e suas malas, os hare khrishna que batucavam caminhando pela avenida, os hippies vendendo seus artesanatos. Homens e mulheres, beijos e abraços, risos e lágrimas.

Caminhava e observava. De tanto observar começou a sentir... a rebeldia dos jovens, seu vigor, fervor, sua juventude e seus nobres ideais tomaram o seu coração. De repente, não era mais ele... Era um deles e conversava sobre Marx... Como seria bom se a nossa sociedade fosse diferente, mas, não é e estamos vendidos para a prostituta do Capitalismo norte-americano.

Caramba! Amanhã tenho reunião com os diretores daquela empresa alemã. Não posso me esquecer de pedir à minha secretária que me entregue aqueles relatórios. Preciso conseguir esses clientes para a empresa senão estou com a corda no pescoço. Esses jovens, como era bom ser assim como eles...Bons tempos!

Como o mundo esta preso demais as coisas materiais. Esse prédio, aquele homem, aquelas roupas de marca, Armani, aquele carinha lá com aquele Rip Curl ou sei lá o que... Que importa tudo isso se eles não são livres! Nirvana, nem sabem que é isso...

- Senhor, qual o seu pedido?
- ...
- Qual o seu pedido? Vai de Big Tasty hoje?
- ...
- Batata grande? Tortinha de maça ou sundae como sobremesa?
- ...
- Senhor?

[A atendente o chacoalha]

- Hããã?!.. Ah,Quero um número um com batata grande!

Um sonho real

" Eu adormeci sorrindo
Sonhando com nosso amor
Sonhando com nosso amor
Sonhando... "

(Correnteza, Tom Jobim)


O despertador toca. Eram seis horas da manhã. Essa é a sua casa, esse é o seu quarto, mas o cheiro adocicado que ele sente não é comum. Ele se deixa levar por esse cheiro adocidado e tão bom, é inebriante.


Ele abriu os olhos. Era a sua casa, tinha certeza disso. Não estava enganado , nem iludido. Era a sua cama, seu guarda-roupa, seus livros, seus discos, mas aquele cheiro não era característico dele e nem da sua casa.

Ele se levantou e abriu a porta do quarto. Deu de cara com o mais lindo sorriso. O lindo sorriso era emoldurado por um rosto lindo, doce, belo, de olhos castanhos e longos cabelos. Ele sorriu de volta. Era dela esse cheiro encantador.

Ela vestia um vestido azul clarinho. Ele ainda estava de pijamas. Ela fala:

- Bom dia, meu amor!
- Bom dia, minha linda! - ele responde.

Ele bendizeu aos céus por ter se casado com uma moça tão bela e doce, tão linda. Essa era a primeira noite que eles tinham dormido em casa, depois da Lua-de-mel. O sonho era realidade!

Grandes Esperanças...


"De cada luta ou repouso me levantarei forte como um cavalo jovem"

(Perto do Coração Selvagem,Clarice Lispector)


O sábado passou e o domingo amanhece. E tudo caminha devagar, com a mesma pressa de uma câmera lenta. Fracasssos, dores, desenganos e tédio.

Um novo começa sempre, sempre uma nova chance de recomeçar. Tentar sempre faz parte, a vitória e o fracasso fazem parte de um processo normal. Lidar com o fracasso faz parte de um processo de crescimento sadio. Um amadurecimento efetivo não é aquele que acontece da noite para o dia, mas aquele que acontece com o tempo.

Nos dias de chuva forte, todos dizem que ela passa logo, enquanto que a garoa ou o orvalho tem uma continuidade muito mais consistente. É assim que devem ser as transformações na nossa vida, algo efetivo e duradouro.

Fragmentos do que vivo, penso, sinto e surpreendo. A desordem. Esse sou eu e também aquilo que não consigo perceber.

Loucura: justa medida da normalidade

"Os homens são tão necessáriamente loucos que seria louco,
de uma outra forma de loucura, não ser louco"

(Blaise Pascal, Pensées, nº 412)

Blaise Pascal é o meu filósofo favorito. Esta frase de Pascal sempre me chamou atenção, mas eu nunca entendi realmente o seu real significado. Talvez fosse algo que transcedesse a minha capacidade intelectual entender o que ele quis dizer com isso. Acreditava nisso até a semana passada.

Como estou no final do curso, a Universidade me permite liberdade para dar o direcionamento que quisermos dentro da nossa área. Eu escolhi fazer arqueologia e não estou arrependido. Arqueologia é realmente algo surreal! É fascinante cada aula que assisto, aprendo coisas fodásticas!

Deixando as digressões de lado, comecei a ler um texto de Lévi-Strauss. Esse texto de Strauss fala sobre o funcionamento da sociedades do ponto de vista da análise sociológica. Num certo momento, Strauss chega a afirmar que quem mantém o padrão de normalidade dentro de uma sociedade são aqueles a quem, essa mesma sociedade (como um todo), classifa e outorga o papel de LOUCOS e espera que eles desempenhem esse papel. Num outro ponto do texto, esse antropólogo ainda afirma que a sociedade, na verdade, é um grupo heterogêneo formado por vários outros subgrupos relativamente homogêneos na maneira de pensar, agir e interagir com o mundo e com os outros indivíduos.

Pus-me a pensar e concluí que, de fato, o que ele afirma é verdade. Nós não pensamos, enxergamos a vida ou agimos de formas semelhantes, mas de formas diferentes. É verdade, porém, que existem pessoas que interagem como o mundo de forma parecida. O mais interessante é constatar que, para todos os que fogem do nosso "padrão" de normalidade, conferimo-lhes a alcunha de LOUCOS e saimos filosofando sobre os 'N' motivos pelo qual desaprovamos a atitude daqueles que pensam ou reagem de forma diversa da nossa.

Diante de um panorama desses, fica mais fácil entender e compreender Pascal. E ele, de fato, estava certo mesmo!

No fim das contas, somos todos loucos. De fato, para nós humanos, ser ''normal'' seria loucura!

Rrá!

Uma carta que nunca remeterei

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma
outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além de que te amo,
se o que quero dizer-te é que te amo?"
(Fernando Pessoa)


É estranho pensar que estou assim. Não! Parece que tudo parou por causa de você, e de fato, parou mesmo. Passaram-se mais de 3 anos e eu acreditei que tudo isso já tinha sido superado, mas não foi. Feliz ou infelizmente, como diz Pascal, "o coração tem razões que a própria razão desconhece".

Você não é a mesma e e eu não sou mais o mesmo também. Estamos diferentes, afinal, por menos que pareça, 3 anos são muito tempo. Seria estranho confessar para alguém sobre isso. É doloroso pra mim confessar que ainda amo alguém que não pode me amar. Sua vida é totalmente diferente e você mora muito longe agora.

Sei que você está feliz, na última vez que conversamos a sua felicidade estava estampada na sua voz, linda e doce, que ainda mexe comigo profundamente. Essa carta nunca vai chegar nas suas mãos por um óbvio motivo: eu não vou remeter. Ainda sinto meu coração bater mais forte quando algum amigo que temos em comum me fala de você, que teve contato com você, sempre pergunto sobre você e você sabe o quanto você foi e é uma personagem importante na minha vida.

Você me ensinou o que era amar no sentido mais completo e verdadeiro da palavra e do sentimento. Conversar com você ao telefone era mágico. Tomar um sorvete, nos meus momentos de falta de dinheiro era perfeito. Você é uma moça surreal e linda, por dentro e por fora, por isso que eu me apaixonei por você.

Mas tudo passou! Não dá pra viver de gotas de momentos que não voltam mais. Tudo acabou por um motivo que acreditamos ter sido divino, um chamado para a sua vida, eu não poderia acompanhar. Meu chamado era outro, minha vida tinha que seguir por um rumo paralelo ao seu, mas não o mesmo, só um pouco parecido.

Hoje, pela manhã, 3 meses depois de ter falado com você pela última vez acreditado que tudo passou, descobri que eu vivi um engodo. Eu ainda a amo, como se todo esse tempo não tivesse passado e não vou parar nunca de te amar...

Em busca do que era seu...

"O que nos faz humanos é justamente [...] a liberdade de escolha."

(Pão para o Caminho, Henri Nouwen)


Era por volta das 15:00hs de uma sexta-feira.

Tinha acabado de tomar banho. Secou o corpo, depois passou um perfume. Vestiu um jeans, camiseta e uma jaqueta. Pegou seu MP3, a mochila e um livro. Abriu a porta e foi em busca do que era seu.

Saiu apressado, mas estava em paz. A vida inteira havia corrido em busca de coisas que não eram suas. Agora, mesmo apressado, corria atrás de algo que era seu, unicamente seu e de mais ninguém.

Saiu resolvido a não voltar sem ela, e não voltou mesmo. Foi atrás da sua felicidade, esse algo que lhe pertencia e que, agora, ele resolutamente saiu em busca. Saiu, porque a felicidade não estava mais ali, estava lá...

Merece castigo quem fala a verdade...

Quando eu era criança minha mãe quando nos advertia que não fizessemos algo errado e apontava os nossos erros dizia sempre: "Quem fala a verdade não merece castigo". Esse é um ditado que eu tenho gravado na minha mente como um dos ensinamentos mais verdadeiros da minha mãe.

Essa semana, acompanhando o jornal, acabei de ter certeza de que o ditado que a minha mãe falava estava bastante 'equivocado', o correto é "Quem fala a verdade merece castigo", mas vamos às explicações. Uma vereadora, candidata a prefeita aqui em Sampa, fez um discurso acusando os nossos nobres vereadores de certo tipo de fraude, enfim, [não quero aqui julgar o mérito da veracidade ou da falsidade da acusação], outro é, aqui, o motivo da discussão.

Certamente, nós paulistanos, não somos caiporas pra acreditar que a Câmara dos Vereadores é um orgão cujo todos os membros são pessoas incorruptiveis, imaculadas, honestíssimas. Não podemos dizer que todos os vereadores são corruptos, mas seria caiporice demais dizer que todos são santos.

Agora estão com processo para cassarem a tal vereadora que os acusou. Processo? Isso, processo de cassação. OK, a acusação pode ser falsa e a vereadora certamente não é uma santa, aliás, pode ser até mais corrupta do que eles, mas enfim, ela falou implicitamente uma verdade, aliás, confirmou o que já sabiamos. Se, de fato, é falsa a acusação que ela faz contra os vereadores, é verdade porém, que entre eles existem corruptos!

E no fim, sempre vence a mentira. Todo mundo finge que está tudo bem, elege-se uma nova Câmara e o circulo vicioso continua... E, nesse país, quem fala a verdade, mesmo que implicitamente, merece castigo sim: cassação!

E viva a mentira, a fraude, a roubalheira e a corrupção. Existe um bocado de trouxas que pagam os impostos pra sustentar tudo isso, não é verdade?

Rrá!

Ignorância e Alienação

Ontem a noite conversava com um amigo meu de longa data, quando ele começou a falar o quanto gostaria de que as coisas fossem diferentes, mas não as coisas, que ele gostaria de não ter conhecimento de muita coisa, que preferiria viver na ignorância da realidade. Acrescentei que, de fato, os ignorantes são felizes, segundo o ditado, e ficamos debatendo sobre isso.

Fico muitas vezes pensando sobre isso. Será mesmo que essa ignorância traz felicidade? Penso que qualquer ignorância não traz em si qualquer aspecto da felicidade, porém, ela tem uma enorme capacidade alienadora de permitir que o ignorante tenha os olhos e ouvidos tapados à realidade que o cerca, fazendo com que o mesmo viva sob um véu ilusório em que tudo é bom e agradável, pelo menos melhor do que é para nós que temos algum conhecimento e estamos acostumados a enxergar a realidade tal como ela é, com suas dores e alegrias.

Não sei se viver alienado da realidade é algo bom, mas, se esse lado existir, eu poderia dizer que o lado bom seria o de não ter contato com a parte dolorosa que o conhecimento da realidade nos traz e com a qual sofremos ou ao menos nos confrontamos.

O problema é que, por medo de sofrer, preferimos viver ou fingimos viver na ignorância da realidade porque assim é mais fácil não se defrontar com os sofrimentos que o conhecimento dessa mesma realidade nos traz.

Ainda mais, quando vivemos na pseudo-alienação, caimos no comodismo, pois quando sou "cego, surdo e mudo" e faço 'vista grossa' à parte dolorosa da nossa realidade, não luto por melhoras, fico naquilo mesmo, porque, afinal de contas, eu não sei de nada, então pra que descruzar os braços e fazer alguma coisa?

E assim vamos ficando. Fingimos não saber nada e também fingimos não sofrer e não ver o sofrimento dos outros.

Não sei se é bom ser alienado ou pseudo-alienado, mas que é comodo eu sei que é, muito comodo.

Tanta asneira, tanta invenção, tanta sandice...

“Como é que eu consegui fazer isso?” Aula do meu professor de Sabedoria Proverbial Chinesa lendo uma frase do seu segundo autor preferido, Kurt Vonnegut.

“Eu não seria capaz de fazer isto, mas respeito as pessoas que fazem, para elas é normal”. Conversa com o meu amigo bibliotecário no ônibus, mesmo dia, sobre ‘Incesto’.

A capacidade humana é algo surreal. Podemos um dia amar, no outro odiar e ainda no outro se reconciliar. Podemos construir uma casa, um palácio, uma cidade, mas acabar com o mundo! É incrível como coisas que foram escritas, feitas, ditas parecem, de hora pra outra, que não foram feitas por nós. Olhamos muitas coisas que fazemos e fizemos e dizemos realmente: Como é que eu consegui fazer isto?

Mais acertamos do que erramos? Ou erramos mais do que acertamos? Muitas vezes... [que mentira! É sempre], mudamos ao sabor dos ventos. Somos mutáveis porque somos livres. Liberdade! [Será que é isso mesmo?].

Antigamente éramos uma coisa, hoje não sabemos quem somos. [Isso sempre acontece!] Voltando na conversa que tive na sexta: “Antigamente as crianças compreendiam Monteiro Lobato...hoje se você der ‘Reinações de Narizinho’ para uma criança ler, ela não vai entender nada...”. Hoje posso e amanhã não posso mais, aliás, não consigo mais...andei pra trás? [Num sei, mas se eu não regredi, algumas pessoas, regrediram!] Como é que eu consegui fazer isto? E porque não consigo fazer isto agora? [Regressão, realmente? Não! Progressão Continuada]

Antes pensava diferente de hoje, hoje penso de uma forma, amanhã poderei pensar diferente. Sou capaz de fazer hoje, amanhã já posso não ser ou por convicção ou por incapacidade ou sei lá porque. Amanhã, me torno meu próprio Tomás de Torquemada, o grã-inquisidor espanhol de mim mesmo e me condeno: Como é que eu consegui fazer isto? Como é que eu pude fazer isto? Por que fiz isto?

Será que eu sei o que sou capaz de fazer? Do que realmente sou capaz? Por que a gente é assim?

Rrá!

[Post escrito em 23.04.07]

Suicida Pop-Star

"Não há nenhum momento na nossa vida em que
não poderiamos ter tomado um novo caminho."
(Charles de Foucauld)

Júlia parece que nasceu sobre o signo do azar. Teve uma vida familiar turbulenta. Sua mãe não a desejou, depois, foi o mundo que parecia a rejeitar. Seu pai precisou de muito esforço para que a filha não se tornasse uma garota depressiva, mas, acabou morrendo quando ela completava os 18 anos; ao menos consolado que ela havia passado a turbulência da adolescência.

Aos 22, Júlia arrumou um namorado e pensou que finalmente seria feliz. Puro engano! Em pleno altar foi abandonada pelo noivo que sumiu e nem sequer apareceu na Igreja da Sé. A noiva ficou anos arrasada pelo vexame, mas, enfim, foi tocando a vida. Sua vida porém, cada dia mais caminhava rumo à rotina, à melancolia, ela sentia como se patinasse e não como se crescesse, caminhasse; vivia todo dia a mesma coisa, mesma coisa, mesma coisa.

A vida de Júlia era extremamente sem graça, aliás, depois de ter sido abandonada no altar, Júlia se tornara uma moça absolutamente sem graça. Sua rotina diária resumia-se em trabalhar e voltar pra casa, ler um romance desses baratos de banca de jornal ou assistir um capítulo da novela da TV; ocasionalmente, um filmezinho na TV também mas, raramente, muito raramente. Júlia tornava sua vida já sem alegrias, algo cada dia mais sem sal.

Numa segunda-feira, oito anos depois que foi abandonada pelo noivo, tomou a resolução de mudar de vida. Pensava que se tornando uma celebridade, uma pop-star sua vida teria a tintura de felicidade que ela tanto ansiou desde que se entendia por gente e que compreendera o que significava a felicidade. Tentou carreira na TV, sem sucesso. Não tinha porte para ser modelo, nem atriz, nem apresentadora de TV, nem nada. Júlia parecia uma verdadeira Macabéa, mas, ao contrário da personagem lispectoriana, ela não só vivia, ela pensava também e como pensava, passava um longo tempo no metrô e no ônibus a pensar na vida e numa forma de sair daquele marasmo.

Júlia acordou dia seguinte decidida a tornar-se uma pop-star a qualquer custo. Tomou um banho demorado, se maquiou, se penteou e se vestiu de noiva. Depois, ao contrário do que habitualmente fazia, pegou o seu carro e, vestida de noiva, foi trabalhar.

Meio-Dia. O setor inteiro estava preocupado pois Júlia sempre fora uma funcionária exemplar e pontual. Não conseguiam contatá-la, porém, todos saíram pra almoçar afinal era hora do almoço. Na saída do elevador os colegas de Júlia viam um alvoroço que vinha de uma praça e olharam para o alto e viram uma noiva: era Júlia.

O populacho parou pra assistir a cena. Era um cutucando o ombro do outro, era gente empurrando, mulheres torcendo o pé, homens comentando sobre aquela morena que passava na rua: um pedaço de mal caminho, era a bagunça, a baderna, um carnaval; nem mesmo a pregação do Pastor Jesuel fazia mais público do que a noiva, suicída noiva.

Nesse interim, apareceu um câmera e um fotografo; era preciso filmar, gravar, fotografar. Não é todo dia que uma pessoa se veste de noiva pra se matar. O populacho agitado dizia:

- Não pula, vale a pena tentar outra vez, viver vale a pena!

O câmera gritava:

- Pula aí, dá uma reportagem de jornal; manchete de primeira página!

E Júlia que queria sair da rotina, ser famosa, estar nos jornais, na televisão, ser sensação nem tresvirgerou e jogou-se! Fim da linha.

Dia seguinte a morta era assunto de primeira página. De fato, por um dia, foi famosa, pop-star.

Machado e Carolina... [História: ciência ou fofoca?]

Para minha amiga Juliana, uma pseudo-historiadora e para minha amiga blogueira
Carla Menegat, uma historiadora de verdade.

Essa semana estive numa livraria aqui em São Paulo e me deparei com o livro "Almanaque de Machado de Assis". Como sou fã inventerado do 'Bruxo do Cosme Velho', fui folhear pra conhecer melhor o conteúdo pois, desde que vi o lançamento deste livro desejei tê-lo.

Lendo um pouco o livro percebi o quanto Machado e sua esposa Carolina tinham medo da especulação midiática e comecei a fazer um paradoxo meio sem lógica com a nossa história. Uma amiga minha da faculdade
[diga-se historiadora frustrada...huahuahua] diz que história não passa de "fofocas da corte"; eu, claro que discordo dela mas, diante desse livro comecei a pensar se ela não teria lá a sua razão.

A história, ontem e hoje, no fundo não seria um curso avançado pra conhecer fofocas do passado? E será que não vivemos a nossa vida baseada em bisbilhotice da vida pregressa dos nossos antepassados?

Por que nos importa tanto conhecer fatos intimos da vida dos outros? Será que no fundo não passamos de um bando de fofoqueiros, todos nós humanos?

AbRrá!

[Post redigido em 16.05.08]

Crédito da Figura: Rua Direita [atual 1º de Março] na cidade do Rio de Janeiro, século XIX . Retirado de: www.niteroiartes.com.br.

Estrada a seguir...


"Qual é a sua estrada, homem? -- a estrada do místico, a estrada do louco, (...), qualquer estrada... Há sempre uma estrada em qualquer lugar, para qualquer pessoa, em qualquer circunstância. Como, onde, por quê?"

(On The Road, Jack Kerouac)

Deixei o lado intelectual de lado um pouco para ler um pouco de literatura dita "marginal", como Kerouac, Bukowski, Lemiski, esses autores e encontrei no tão famoso livro 'On the road' [recomendo!] essa frase que me fez pensar um pouco.

Eu acredito que quando começamos a viver temos que trilhar um caminho em busca de algo. Muitas vezes me perguntei o motivo pelo qual vim ao mundo, qual a minha missão na terra, essas coisas todas...

De fato, nesses tempos, após um momento de descoberta dessa tal missão pela qual eu vim, fui pressionado contra a parede sobre o seguir essa missão, o dedicar-me totalmente a ela e, em contrapartida, sobre a continuidade dos meus estudos e o, por agora, dedicar-me totalmente a eles.

Sinto-me totalmente fascinado e absorvido pela missão ao qual vim cumprir, ao mesmo tempo, sei que os meus estudos precisam terminar, para que eu possa trabalhar, continuar normalmente a minha vida e cumprir essa missão para o qual eu vim e tals...

Eu acho muito complicado tomar decisões radicais. Lidar com elas nunca foi o meu forte, sempre fui daqueles que tentam conciliar tudo e, de fato, estou realmente dividido sobre o que realmente devo fazer.

Mas, como veio numa frase essa semana que apareceu bem na minha frente no orkut: "Você passará em uma prova de fogo que o tornará mais feliz". Estou realmente numa prova de fogo e se ela realmente vem pra me trazer felicidade, estou em caminho e quero enfrentá-la de peito aberto.

Acho que falei demais sobre o que estou vivendo. Não costumo fazer isso no meu blog, mas agora já foi.

AbRrá!

O brilho...

O brilho dos meus olhos, nem sempre é o da felicidade.
Uns dizem ser solidão, outros dizem ser...
Falta de vontade de viver, de querer e lutar.
Quem dera estivessem eles no meu lugar.

Meu sorriso não traduz meus sentimentos,
Ele está aqui por cortesia,
Pra evitar a alheia comiseração;
Que por vezes é verdadeira, em outras,
Pura hipocrisia.

Minhas ações são sem sentimentos,
Minhas palavras, sem emoção.
Dizem: falta de juízo,
Digo: excesso de razão.

Minhas músicas traduzem solidão,
O que levo no mais profundo do meu peito.
Porque elas espelham o que nem todos conhecem:
O mais íntimo do coração.

Os meus sonhos, nem aparecem,
Estão mui distantes...
Tão distantes quanto o tempo em que eu realmente sonhava
E esperava...
Ah, e a minha esperança, quem dera fosse como dantes.

Minha auto-estima parece distante,
Algo inatingível, difícil...
Conflitante, desafiante.
As minhas metas tornaram-se inatingíveis e meus projetos...
Ah, meus projetos, eu levei algum a diante?

Força de vontade, a minha, já é momentânea,
Suscetível, imprevisível...
Ando muito inconstante.
Tudo o que eu planejo um dia,
No outro, é quimera alucinante.

Minha auto-satisfação, impossível!
Meu estado de espírito imprevisível...
E a felicidade, ah, essa deixou bilhete,
Disse que viajava, mas num disse se voltava.
Quem sabe, um dia, ela me manda,
Um telegrama avisando da sua chegada.

(Luifel)

Sofrimento e Felicidade...


Para meus amigos, Arctic e Bruno.

"Sofrer faz parte da felicidade. Penso que sofrer é algo salutar na vida humana, porque a felicidade verdadeira comporta alegrias e sofrimentos, que devem ser vividos buscando o seu real sentido no contexto da nossa vida.

A verdadeira felicidade não é igual a comercial de margarina; aquilo num é uma vida feliz, é uma farsa, uma mentira, um simulacro. Mesmo que aquilo fosse vida feliz, com certeza, quem vivesse daquela forma ia ser muito infeliz porque se depararia com uma coisa chamada tédio."

(Passagem de uma fala minha, numa conversa no MSN ocorrida hoje)

Rrá!

Fala comigo, mar, fala!

"Parle, o, parle, mer, parle
Sea, speak to me, speak
to me, your silver you light
Where hole opened up in Alasca
Gray - shh - wind in
The canyon wind in the rain
Wind in the roling rash
Moving and weld
Sea
Sea
Diving sea."

(The Sea. In: Big Sur, Jack Kerouac).

Estou cansado de tudo! Parece que não nasci pra ser feliz como as outras pessoas. Todos muito bem no quesito profissional e eu aqui ainda sendo escravo desse sistema. Agora são 22:00hs e estou nesse shopping center, trabalhando como um condenado para cumprir essa meta de vender tanto, bater meta todos os dias...

Já fechou o shopping. Estou indo pra casa. Olhe aquele casal de namorados; bem que podia estar namorando também, mas, sou tão tímido, só consigo gaguejar quando chego em alguém. Quem dera eu fosse mais desinibido! Definitivamente eu não nasci pra ser feliz também nesse aspecto. Acho que vou ter que ficar solteiro, pra sempre... É a vida!

Sabe, cansei de amar e não dizer... Por que sou tão sem graça? Ninguém nem mesmo nota a minha presença... eu sou um ser desinteressante mesmo. Sabe, as pessoas não tem qualquer respeito pelos outros e agem como se vivessem com amebas, mas estou vivendo, eu vivo! Tenho muito medo de terminar minha jornada solitário e infeliz.

Cheguei em casa. Essa rua é tão estranha. Vou dormir e amanhã vou pra praia. Preciso desanuviar meus pensamentos...

Estou na praia. O dia está muito lindo! Estou agora andando no calçadão. Sol, mar, gente bonita e eu, sozinho como sempre. Mas... olha aquela menina ali... linda, corpo perfeito, mas ela nem vai me dar bola... Estou andando, ela está se aproximando. Ela é realmente muito linda, perfeita, mas um cara como eu, francamente!

Hei, ela me olhou! Não me canso de comtemplá-la, mas ela está com a amiga e eu num posso chegar... levar um fora assim é foda! Pense no micão que eu vou pagar na praia em pleno domingão. Ela continua caminhando... Já está longe. Melhor sentar na areia e recitar Kerouac já que ela se foi. Como sou idiota!

-- Parle, o, parle, mer, parle/
Sea speak to me, speak...


Alguém tocou no meu braço. É uma mão feminina...

-- Com licença, posso sentar do seu lado?
-- É... é... pode... é claro que pode!

Meus detalhes bizarros... [II]

Resolvi dinamizar essa bagaça, então, vou fazer novamente um "drops" sobre bizarrices do autor desse blog, que às vezes aparenta ser tão normal e certinho (huahuahua). O primeiro que eu fiz, lá no começo da minha vida blogueira está no Meus detalhes bizarros... . Então vamos à segunda parte...

* Gosto muito de azul, preto e cinza;
* Gosto de suco de maçã, torta de maçã, da própria maçã, mas acho que maçã do amor só tem um função: alimentar as latas de lixo e as abelhas;
* Tenho orientação esquerdista, mas não acredito no comunismo e no socialismo;
* Sou paulistano, amo Sampa, mas gostaria de morar em Curitiba;
* Sempre me senti um velho [mesmo tendo apenas 23 anos ainda];
* Já enjoei de ouvir Bebel Gilberto, mas num consigo ficar um dia sem ouvir uma música dela;
* Sou Católico Romano praticante, mas não gosto das imagens, prefiro os ícones bizantinos;
* Acho medíocre a disputa entre católicos e protestantes e acredito que Deus deve rir da cara de todos os que fomentam essa briga idiota;
* Quero me casar com uma morena, mas só costumo sonhar com loiras;
* Gosto de romances policiais, principalmente Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle, mas não curto Sidney Sheldon;
* Eu falo comigo mesmo, várias vezes ao dia;
* Queria ter uma noite com a Soleil Moon Frye [meus leitores, ja viram como aquela menininha ficou gostosa agora adulta?!];
* Sou bibliotecário, mas odeio aquelas bibliotecárias velhas, chatas e que ficam fazendo Shiiiiiiiiiiiii e mandando as pessoas ficarem quietas na biblioteca;
* Sou muito tradicional nas atitudes, mas subversivo pra caramba, nos pensamentos;
* Odeio best-sellers, livros espíritas e todos os do Paulo Coelho e penso que ele e a Zibia Gaspareto tem coisas mais importantes pra fazer [do que uma literatura de tão baixa qualidade];
* Eu num consigo escrever bobagem no meu blog, mas adoro ler as besteiras que os outros escrevem;

Só quero dizer que apesar disso tudo, respeito todas as opiniões alheias, blz? E vocês, do que gostam e o que odeiam? Quero saber suas bizarrices...

AbRrá!

Eu quero sempre mais...

"Eu sempre quero mais que ontem
Eu sempre quero mais que hoje
Eu sempre quero mais do que eu posso ter"

(Mais, Capital Inicial)

Estava para escrever esse post a um bom tempo, mas por algum motivo ele ficou em stand by desde junho e só agora, depois da aula de quinta-feira passada ele resolveu que iria sair do meu cérebro para vir habitar o mundo das postagens desse blog.

Digressão à parte, tem uma música do Capital Inicial que sempre me fez pensar no quanto eu sou como ser humano sou insatisfeito com tudo.

Existe um momento na música que ela repete essa estrofe que eu usei como epígrafe, três vezes seguidas. De fato parece-me que nós somos assim... nada para nós está bom, sempre queremos mais, e mais, e mais...nunca sossegamos com o que temos. Eu me sinto assim e sei que todo mundo é assim. Tem horas que eu tenho a noção de que estou sempre "cantando o novo hino dos descontentes", outra frase que está contida nessa música.

Nunca estamos satisfeitos! Eu nunca estou satisfeito! Sempre quero um emprego melhor, uma casa melhor, queria professores melhores, o meu curso podia estar melhor, enfim, tudo é motivo pra descontentamento, insatisfação. É estranho, é chato pra caramba, mas no fundo tem a parte boa disso tudo.

Na quinta-feira passada, minha professora de Introdução à Pesquisa em Ciência da Informação*, disse que os cientistas de qualquer área, principalmente das humanidades, são eternos insatisfeitos, no fundo, até insuportáveis porque sempre estão buscando novas e novas coisas. Isso também se aplica aos cientistas das áreas das exatas e das biológicas, com certeza, porque, apesar dessa eterna insatisfação, nossa vida só melhora a cada dia, cada vez que alguém resolve estar insatisfeito com tudo o que já foi pesquisado e ir em busca de algo novo.

Diante desse panorama, acabei pensando que a tal insatisfação num era de toda má, aliás, tinha um lado muito bom , porque, por exemplo,
ja parou pra imaginar sua vida hoje sem a eletricidade, a telefonia, a internet e outras diversas comodidades que foram frutos da insatisfação de tantas pessoas? Hoje você não poderia falar com outra pessoa do outro lado do mundo e sequer assistir às Olimpíadas de Pequim, por exemplo.

A insatisfação, no final das contas é o motor que nos impulsiona a ir adiante e buscar sempre ser mais e melhor. Imagine que seria de nós se a gente tomasse o comodismo por regra? Em que estágio da evolução humana estaríamos a uma hora dessas?

AbRrá!


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* Ciência da Informação - Área das Ciências Humanas Aplicadas que trabalha com as disciplinas que lidam diretamente com a informação e seus mecanismos correlatos. Nessa estão incluídos a Biblioteconomia, a Arquivologia e a Tecnologia da Informação.

Solilóquios sobre a Liberdade


"...A liberdade é do tamanho da corrente..."
(Kleber Albuquerque)


Liberdade! Este conceito tão estranho que a cada dia conheço uma nova faceta. Primeiramente aprendi e creio nisto, que a origem de toda a liberdade é a Trindade Bem-Aventurada, que criou os homens para serem o que quisessem ser.

E o que é afinal esta liberdade? Esta pergunta consome o homem desde a eternidade e atualmente anda me consumindo também. Será o ‘carpe diem’ dos Arcadistas? Será a subversão dos anarquistas? O que é afinal a liberdade?

Exatamente neste momento descobrimos a amplitude deste termo. Uns dizem: Sou livre, se me rebelo contra o sistema! Rebeldia é liberdade? Não consigo pensar assim! Rebeldia, pra mim, é doença de adolescente que quer ser gente grande e não passa de uma criança evoluída e como disse anos atrás, o meu professor de Sabedoria Proverbial: ‘O máximo de conceitos, com o mínimo de conteúdo’.

O que é liberdade? Liberdade é subversão? Subversão? Depende! Subversão tem limites e aplicações. Demasiada ela causa estragos inigualáveis. Tudo em excesso causa efeitos colaterais.

Liberdade! Liberdade! Liberdade! O que é liberdade? É o ‘carpe diem’ dos arcadistas então? Também não, mas pode ser uma forma de viver esta liberdade esse tal ‘carpe diem’, mas que infelizmente eu ainda não aprendi a viver.

Então o que é liberdade? Depois que esta procura ficou cansativa, estive cansado... entrei dentro de mim e comecei a pensar...refleti e concluí pra mim mesmo, que ser livre é ser o que sou da forma mais plena, aceitando tudo o que eu sou.

Cheguei a esta conclusão, embora ainda me pergunte: será mesmo isto? Um caso a se pensar!

Rrá!


Créditos da imagem: Por do sol na Communauté de Taizé, França.
© Ateliers et Presses de Taizé

Una umanità faticata...


"Que cesse toda vingança, todo apelo ao castigo e à retribuição.
Os crimes ultrapassaram toda medida, todo entendimento.
Há mártires demais..."

(Oração anônima escrita em iídiche, encontrada em Auschwitz-Birkenau)

Outro dia, catalogando documentos na biblioteca, encontrei dentro de um livro, que falava sobre a paz, essa oração que estava no posfácio. Quem lê essa oração na integra percebe que é a oração de uma pessoa que está, certamente, fatigada de tanta violência, sofrimento, destruição...

De fato, o que presenciamos hoje é, verdadeiramente, a destruição da humanidade. Ontem, o programa da TV falava do temor dos cientistas de que um asteróide venha a cair na Terra e causar uma destruição de parte da humanidade, ou talvez de toda ela, mas, eu me pergunto se nós mesmos não nos destruiremos antes mesmo que venha um tal asteróide e faça isso conosco.

A humanidade está sendo dilacerada por guerras imensas por diversos motivos: étnicos, religiosos, culturais, vemos o quanto a vida humana esta sendo desrespeitada. Clara e visível é a falta de amor que reina no coração do homem. Aqueles que foram criados por Deus para cuidarem da sua criação, hoje, não mais destroem somente a natureza, mas estão destruindo-se a si mesmo. E a humanidade está cada dia mais fatigada...

A humanidade está cansada! Cansada das guerras, das destruições, das divisões, da discórdia, da violência, da dor, da miséria. É lastimável a situação em que vivemos atualmente; tudo está sendo motivo para discórdia, absolutamente tudo: negros lutam contra brancos, cristãos contra muçulmanos, socialistas contra captalistas... A humanidade, porém, cansada disso tudo, clama por paz e vive em guerra, um paradoxo. Vivemos esse paradoxo porque,infelizmente, acreditamos muito naquele dito romano que dizia: "Se queres a paz, prepara-te para a guerra"; porém, a paz, que é segundo a tradição judaica, a plenitude da prosperidade, justiça, sabedoria e uma imensa sorte de dons, nunca será conseguida com a guerra. A guerra nunca trará a paz e a humanidade fatigada anseia por paz.

Uma humanidade fatigada clama por socorro. É preciso ouvir a voz de pessoas como esse anônimo e buscar saciar essa sede de justiça, não com a guerra e a violência, mas com a reconciliação e a paz. O grito não é só desse anonimo é meu também, porque também eu estou cansado de tudo isso. Estou cansado de tudo o que está acontecendo, queria viver num mundo melhor.

Acredito que somente através da reconciliação que isso pode ser dar. É preciso que aprendamos a conviver com os outros, tolerar seus defeitos e aceitar as diferenças. É precisa aprender que as divergências existem para enriquecer e não para dividir. Para mim, esse o único caminho que se pode trilhar para salvar a humanidade dessa catástrofe que vivemos, catástrofe essa que certamente é maior que qualquer asteróide que nos ameaça, pois o asteróide pode ser desviado de sua rota, mas vidas perdidas não voltam mais, nunca!

AbRrá!

Anotações perdidas do dia...


"Como o sol abre a corola da flor que a noite fechou, assim o amor
dará força
e alento ao coração endurecido pelas decepções da vida."
(Cardeal Suenens)

Diante disso é que eu tenho uma certeza: de que nem tudo está perdido e que ainda posso sonhar...

AbRrá!


Créditos da Imagem: Soleil Levant, Claude Monet.

Vésperas de Domingo


Uma xicará de café com leite, pouco sono, muito tédio, olheiras profundas... Falo comigo mesmo:

- Estou cansado dessa vida de vagabundo, segunda-feira, arrumo um trabalho!

Nessa noite, não fui à balada. Na verdade precisava cuidar das minhas decisões. É incrivel como sou decidido quando quero, isso acontece raramente, normalmente sou indeciso e deixo tudo pra lá. Minha mãe me diz que sou igual ao meu irmão mais velho, a minha avó paterna diz que sou igual ao meu pai, mas, caralho! Eu num sou uma pessoa única, sou igual a todo mundo que me antecedeu?

Minha mãe está na sala ouvindo música e lendo. No rádio, toca Elis..."Ainda somos os mesmos e vivemos, como nossos pais."

(Mais um da série ''contos''... Só lembrando, conto fictício. AbRrá)

Carta de um insone

Para Juliana, Luciana e
João Ricardo
Meu velho Marco, meu morto,

Ainda não me conformo com a tua morte! Não, eu nunca esperei que isso pudesse acontecer contigo...não parece verdade que você morreu, tão jovem com os seus 22 anos, nem acabaste a facul ainda e faltava tão pouco...

Escrevo-te nessa noite fria porque não consigo conciliar o sono diante de tantos quadros que se passam em minha mente. Lembro-me quando nos conhecemos, quando éramos crianças, do tempo em que brincávamos juntos, estudávamos juntos, enfim, uma amizade de longos anos, e que simplesmente eu acabei com ela.

Meu velho, como posso esquecer das nossas conversas, já na adolescência, sobre os diversos assuntos: política, futebol até, que na adolescência, falávamos daquela vizinha gata da rua do lado, e filosofávamos sobre nossas leituras... Kafka, Pascal, Brecht e João XXIII, aquele papa que tu tanto estimavas...realmente ele foi um excelente líder, não tenho nada que falar dele, tu já falavas tudo...

Não, meu amigo, tu não! Tu, meu amigo magricela, tão fervoroso, que tinha uma vida tão reta e correta, tu não merecias isso...Eu que sou o anarquista, pagão, pseudo-intelectualóide e porra-loca, eu que sou o errado e estou vivo, não me conformo como fui idiota. Confesso que tivemos muitas discussões e caras feias, mas tudo isso só fez com que eu te estimasse mais, caramba! Não consigo entender...

Tua doença, tudo tão rápido! Porque fui te desprezar, meu amigo. Não, tu não eras o fanático religioso alienado que eu pensava...e eu me afastei tanto de ti, fui tão hostil contigo e tão ausente na tua doença...no desenvolvimento do teu câncer, o que aconteceu comigo que estive tão cego? Como pude não me envolver nos teus problemas...O alienado era eu, o único alienado fui eu.

Agora tu dormes, meu velho, dormes o sono dos justos. Eu, agora, nem mais durmo...

Seu, se você assim ainda considerar, amigo,

Aurélio.

P.S.: Tua namorada ficou inconsolável no teu enterro, acho que ela realmente te amava.
P.S.S.: Penso sempre naquela frase, do Norman Douglas, a última frase que me disseste: " Para achar um amigo é preciso fechar um olho; para conservá-lo é preciso fechar os dois."
.
(Pessoas, pra esclarecimentos...esse é um conto fictício, certo? AbRrá)

Meme

E ai pessoas beleza?

Pois, estamos de volta com mais um ''meme", que me foi passado pelo Hélder do (A ótica de um míope). Valeu velho!

É o seguinte, galera:

I - Escolha uma banda;
II- Responda somente com os títulos das canções;

Parafraseando, Hercule Poirot... Madames et Messiers, apresentando...Capital Inicial by Luifel.

1. Descreva-se:Leve desespero;

2. O que as pessoas acham de você: Mais;
.

3. Descreva sua última relação: Cai a noite;

4. Descreva sua atual relação: Incondicionalmente;

5.Onde você queria estar agora: Descendo o Rio Nilo;
.
6.O que você pensa sobre o amor: Fogo;

7.Como é sua vida: Como devia estar;
.
8.Se você tivesse direito a apenas um desejo: Independência;

9.Uma frase sábia: "Falar de amor não é amar"
.

10.Uma frase para os próximos: "Não olhe pra trás"

Repasso este para:

*Blog de Garagem
*Deixa eu brincar de ser feliz?
*Pulchro - É sobre-humano amar

AbRrá!

Por um verdadeiro Estado de direito...

Não, meus senhores, os mortos não voltam. (...) e é melhor que assim seja...Que vergonha se voltassem!(...) Eles vão, e a gente fica, e ri, e canta, e deseja, e continua a viver! Mutilados, amputados, às vezes do melhor de nós mesmos (...). É uma miséria, é, mas é assim!”

(Os Mortos não voltam. In: As mascaras do destino, Florbela Espanca)


Estou lendo agora um livro de prosa da muito conhecida e aclamada poetisa lusitana Florbela Espanca. Embora pouco conhecida, a prosa dessa autora é muito boa. Achei essa citação que uso como preâmbulo para o meu protesto.

É vergonhosa a situação em que vivemos no nosso país. É triste ver o quanto as pessoas morrem à toa, sem motivo algum. Nossa vida não está sendo mais valorizada, agora morrer assassinado parece tão natural quanto uma morte qualquer, por velhice ou porque o nosso tempo na terra simplesmente acabou. Onde está a dignidade da vida? Que país é esse?

Diz-se que num Estado de Direito de verdade, a dignidade humana é respeitada tanto pela lei, que é responsável pela organização e manutenção da ordem num Estado, quanto as pessoas sabem respeitar as outras entre si, é verdadeiramente o conceito acabado de civilidade.

Quando li esse trecho do conto, percebi que ele refletia exatamente a forma como ficamos depois da morte de alguém que é muito querido a nós. Eu sempre acreditei que as pessoas que passam pela nossa vida são parte da nossa comunidade interior, passam a ser uma parte de nós. Essa comunidade interior é formada pela nossa família e os nossos amigos, quando alguém morre, parte de nós que era ligada àquela pessoa também morre. E o que sobra? Sobram muitos semimortos, um pouco zumbis. Não, um pouco não, sobram zumbis.

Parece-me, em alguns momentos que nesse país os ofícios religiosos não deveriam ser outros senão os de réquiem e ainda seria pouco. Com o tanto de mortes que temos, passaríamos o resto da nossa vida murmurando o “Requiescat in Pace” *. Mas será que realmente os mortos vão descansar em paz? Os que continuam vivos certamente tem uma grande batalha a travar pedindo justiça pelos seus mortos.

“É uma miséria, é, mas é assim!” conclui Florbela Espanca. É uma miséria ver que a nossa vida está rifada nas mãos de pessoas que recebem um pseudotreinamento para, segundo dizem, proteger a população. Proteger ou matar? Infelizmente é uma miséria essa nossa vida. Mas não podemos fazer nada? Podemos e devemos.

Temos que fazer alguma coisa! Já é o segundo caso em poucos dias. Os cariocas devem, por primeiro e, depois, todo o resto do país em cada um dos seus estados exigir JUSTIÇA. Estamos sendo injustiçados quando somos tratados dessa forma, quando temos nossa família mutilada ou até arrasada, quando temos medo de sair nas ruas por causa da violência, quando vemos nossos filhos, netos, sobrinhos morrendo pouco depois de nascer na maternidade por falta de recursos e médicos. Infelizmente não temos e não vivemos num Estado de direito...

Não temos e não vivemos um Estado de direito e por quê? Porque num Estado de direito, os pais não matam os filhos, os ladrões não matam policiais, o exército não entrega jovens para traficantes matarem, a polícia não mata inocentes, bebês não morrem às centenas numa Santa Casa na capital de um estado do país...

Num Estado de direito viveríamos dignamente. Teríamos um justo salário, teríamos segurança, saúde, educação e cultura. Seriamos melhores, viveríamos melhor... Num Estado de direito seríamos tratados como cidadãos, seria verdade a Civitas** que tanto idealizamos para cada um de nós, mas que infelizmente ainda não existe nem aqui e nem em qualquer lugar do mundo mesmo aqueles do primeiro mundo. Porque não é uma constituição que garante cidadania a ninguém. Cidadania verdadeira está muito além disso...e nós também temos nossa parcela de culpa, falarei disso em outra oportunidade...

E a gente continua a viver. Viver?! E será que estamos vivendo ou pouco a pouco estamos morrendo?

Rrá!

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* Citação latina que significa: ‘Descanse em paz’.
** Conceito latino que significa uma plenitude de cidadania.

Não era feliz!


"Tristeza não tem fim,
Felicidade sim!"

(A Felicidade, Tom Jobim)

Juan estava parado em frente da janela do seu quarto. Era uma manhã ensolarada apesar de ser inverno. Ele não se sentia feliz, se sentia meio triste e meio melancólico embora não soubesse bem o motivo para estar se sentindo assim, estava assim; desde muito tempo era assim, já havia se esquecido quando era mesmo que fora feliz.

Sim! Juan desejava ser feliz! Juan tinha tudo o que necessitava, assim viam os seus amigos e parentes. É verdade que a família não estava financeiramente bem mas, eles tinham o necessário para viver; viviam pacificamente, eram uma família feliz. Juan era um jovem, tinha amigos, saía pra balada, estudava e trabalhava, tinha acabado um namoro a pouco. Aos olhos dos seus amigos e dos seus pais não existia motivo para aquela infelicidade toda. Não! Não era o termino do namoro o motivo da sua melancolia; ele só não era feliz e tinha consciência disso.

Desde quando Juan não era feliz nem mesmo ele sabia! Ele desde quando se entendia por gente já vivia naquela melancolia característica. A mãe sempre percebera que o filho não era feliz mas, quando ela comentava, ele logo fugia do assunto. Ele olhava aquela paisagem cheia de prédios e pensava no mar de pessoas que, naquela cidade, eram como ele.

Numa tarde, no ônibus, Juan pensava em sua vida e teve um estalo ouvindo uma música. Ele percebeu que tinha que parar de viver a vida dos outros; de viver a vida que os outros queriam que ele vivesse. Ele deveria viver da forma como ele achava melhor. Desde esse momento Juan mudou. Juan era um homem livre!

Juan mudou radicalmente. Deixou de viver a vida dos outros e passou a viver a sua vida...e, até agora, é um homem feliz.

O que é a vida...

"A vida, (...), é uma enorme loteria; os premios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seu ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante"
.
(Teoria do Medalhão In: Papéis Avulsos, Machado de Assis)

Não consigo conceber a vida como algo passivo, não sei se felizmente ou infelizmente. Não consigo conceber a vida como uma loteria, pois pra mim a sorte é algo passivo demais, algo que impossibilita a realização de uma atitude pra mudar o que supostamente dizem que o destino determina. Para mim, destino não existe, existe o livre arbítrio.

Apesar de tudo isso coloquei essa frase de um livro que estou lendo do Machado pois achei digna de uma digressão sobre a vida. É engraçado, a visão de Machado nessa situação. Como um amargo e sarcástico observador da vida humana, ele nessa citação soube captar bastante da essência da vivência humana, mesmo que eu não esteja absolutamente concorde com a afirmação que ele fez.

A vida realmente é algo que nos surpreende a cada dia que vivemos, mas não é uma loteria, pois eu sou livre e capaz de realizar aquilo que acho adequado e melhor pra mim. Sou eu o responsavel por buscar o melhor pra mim, por buscar alçar os meus objetivos, as minhas metas, o meu sucesso e também sou eu o responsável pelo meu fracasso. (Embora gostemos de atribuir a diversos fatores o nosso fracasso, principalmente).

Através da vida é que posso me tornar um ser medíocre ou ilustre, dependendo das escolhas que eu fizer e das atitudes que eu tomar.

Sim, é preciso aceitar os percalços e ônus, glórias e desdouros, mas mesmo assim, podemos agir de forma a transformar, como diz São Francisco de Sales, os problemas em ocasiões para o nosso progresso e maturidade.

Sim, os fracassos de uma geração de fato são fermento para que a outra possa crescer, sem dúvida! Isso é a sincronicidade da vida, aprendemos com os erros dos nossos ancestrais e nossos descendentes aprendem com os nossos e assim por diante...

A vida é algo tão controverso, complexo e surreal que poderia ficar aqui escrevendo horas e teria muito o que escrever sobre ela, o que posso dizer é somente que a vida, apesar de tudo é bonita, é bonita e é bonita, como diria nosso grande Gonzaguinha.

AbRrá!