Profissão e Realização...

Não sei se todos os que me acompanham sabem, mas eu sou um aspirante a Bibliotecário e estou trabalhando em uma biblioteca (lógico, alguns diriam, mas num é bem assim). Quando digo às pessoas que a minha profissão é Bibliotecário pensam imediatamente que passo os meus dias sentado lendo e fazendo ''Shhhh'', mas não é assim.
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Primeiramente, porque como um profissional da informação, eu posso atuar em todos os locais atuando como um gerente ou gestor de informação estratégica, por exemplo. Mas não é sobre isso que estou aqui pra falar.
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Diversas vezes já discuti com uns amigos meus que diziam que todos enveradaram por profissões mais interessantes, que são mais chamativas, mais atraentes que a minha, um simples futuro bibliotecário, profissão sem qualquer atrativo. Já parei pra pensar mil vezes sobre a minha profissão, já refleti sobre ela num post passado (vide Bibliotecário tem sucesso?), mas volta e meia lembro-me que tenho vocação para isso, só preciso saber aplicá-la bem. Essa semana, porém, eu vi que não é tão ruim assim ser bibliotecário.
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Estava na biblioteca atendendo o público, (diga-se de passagem estamos sendo bem frequentados, quase nunca paro pra tratar os materiais que temos lá para disponibilizar para o público) e eis que chega uma usuária desesperada porque ia participar de um simpósio sobre o Parque Piqueri, aqui de São Paulo e ela precisava de um documento que comprovasse que o Rio Tietê passava por aquele local e que o mesmo foi aterrado, mas não achava nada em lugar algum e ja havia desistido. Ela tinha ido pedir umas fotos aéreas da cidade que temos no nosso acervo e ver um mapa topográfico da região desse parque e eis que, eu, mexendo no acervo da nossa mapoteca encontro um documento extraordinário. Uma planta do referido parque da década de 1930, mais precisamente do ano de 1932, e, acreditem, o rio Tietê realmente passava por esse parque que na época era uma fazenda do Conde Mattarazzo.
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Vocês não acreditam a realização dela e a minha também. Porra, eu achei uma verdadeira reliquia e a usuária resolveu o problema dela de provar, e ela me disse assim:
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- É por essas coisas que eu valorizo o trabalho de vocês!
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Nessa hora eu me senti como um arqueologo sabe, que faz aqueles achados que revolucionam o mundo sabe? Foi bom demais achar aquilo, eu me senti, pela primeira vez na vida, que cumpri o papel que verdadeiramente exerço como um bibliotecário. Foi um momento surreal!
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Depois de tudo me puz a pensar: as pessoas são o que são por vocação ou por fama, sucesso? É por essas e outras que temos péssimos bibliotecários (eu sei disso!), piores médicos, dentistas, professores, enfim, porque as pessoas, muitas vezes estudam algo sem ter real vocação e aí, quem perde nisso? Quem precisa do serviço dessas pessoas.
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Profissão pra mim é algo de vocação. Não importa se vou ter sucesso ou se a profissão que tenho tem mais ou menos status no mercado, bibliotecário nesse mundo vai ter sempre emprego e, o único sucesso que realmente importa é ser feliz.
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Abçs a todos!

13 commenti:

Ariana { 31 de maio de 2008 16:08 }
Oie!
Ja te linkei!

Beijo*
Bom fim de semana pra ti!
Filipe Garcia { 31 de maio de 2008 16:48 }
E aí meu caro, tudo certo?
Já tá linkado no meu mundo...

Cada profissão tem seu valor. A sua é tão importante como qualquer outra. Portanto, trate de se sentir O bibliotecário todos os dias, rs.

Muito legal sua experiência. Me fez repensar um pouco nas coisas que tenho feito e almejado.

Grande abraço.
Míope { 31 de maio de 2008 22:43 }
Eu acho que é uma das profissões mais diferentes e interessantes!

Ter disponíveis todos aqueles livros...conhecer pessoas...
aumentar o conhecimento...

Valorize a sua profissão!

Abç!
Clecia { 1 de junho de 2008 00:25 }
Taí! Eu gostaria de ser bibliotecária! É sério!A idéia de estar cercada de livros é fascinante! Sempre que ia a uma biblioteca ficava imaginando como seria trabalhar em uma.:) Amei o post! Bjos e um lindo domingo!
Pedro { 1 de junho de 2008 00:37 }
Tem dos dois tipos. Gente que escolhe por vocação e gente que escolhe por fama. O mais divertido é constatar que quem escolhe por vocação tem fama e sucesso e quem escolhe por fama nunca a consegue.
Latinha { 1 de junho de 2008 01:48 }
Rapaz... muito bom quando a gente se sente realizado né?!

Bom, estou de volta... e com tudo quase em dia, inclusive já postei o "meme", confere lá e depois quero teus comentarios.

Abração!
Vinícius Aguiar { 1 de junho de 2008 01:59 }
De fato, profissão é algo bem vocacional mesmo, e eu sou da teoria de que não importa qual seja sua profissão, tente sempre ser o melhor, fazer o melhor, porque a realização pessoal e profissional virá!

Parabéns!
PULCRO { 1 de junho de 2008 15:38 }
Que lindo! Bibliotecário. Aonde eu posso alugar uns livros com você? Hehehehe!
Abração e uma ótima semana para ti.


http://pulchro.blogspot.com/
Leonardo Werneck { 1 de junho de 2008 17:47 }
É interessante sua escolha de profissão. Pq a gente nnca escuta uma criança dizer que queria ser bibliotecário quando crescesse, não que a profissão seja ruim, muito pelo contrário, mas hoje em dia os jovens preferem profissões da moda e as que têm mercado de trabalho promissor. Mas qalquer profissão é válida se feita com dedicação.

Abraços meu caro
Raposa { 2 de junho de 2008 01:47 }
Todas as profissões são igualmente gratificantes se for a certa para a pessoa. Imagino a sua realização ao achar tal peça histórica. Acho que poderia comparar com descobrir um algoritmo mais eficiente e com menos código do que os comumente usados (pra mim, na minha profissão de analista, é o ápice da realização!)

Vou copiar uma fala do último Indiana Jones: "Se é o que você gosta de fazer, não deixe que ninguém diga o contrário."
E, mesmo nas profissões mais humildes, o bom profissional se destaca. Melhor do que ser um médico de m$%#@ por causa do status da profissão...
BARUD, Rômulo { 2 de junho de 2008 12:58 }
Cara, fiquei muito feliz pelo seu texto!
São nestes pequenos momentos que nos tornamos gigantes e todo o nosso esforço vale a pena!

E quem faz o atrativo da profissão é você brother. É o seu dom!

Abração! E depois dá uma passada no meu (pra variar, o texto está bem parecido hehe)
carla m. { 6 de junho de 2008 01:26 }
me lembrou de uma redação dos tempos de colégio, em que tínhamos que dissertar sobre sucesso financeiro ou realização profissional.

Nem preciso dizer que optei por realização profissional. fui a única da turma.

E até hoje não me arrependo. Te entendo perfeitamente amigo, eu tb vivo tendo que explicar por que ser historiador, e não alguma coisa "melhor". não há melhor pra mim.

beijos!!!
Gustavoo ;9 { 9 de outubro de 2008 19:33 }
Muito bom seu texto.
Principalmente porque ele fala da verdadeira realização da profissão, que é descobrir que voce tem realmente uma vocação para ela.
Abrsss