Anotações perdidas do dia...


"Como o sol abre a corola da flor que a noite fechou, assim o amor
dará força
e alento ao coração endurecido pelas decepções da vida."
(Cardeal Suenens)

Diante disso é que eu tenho uma certeza: de que nem tudo está perdido e que ainda posso sonhar...

AbRrá!


Créditos da Imagem: Soleil Levant, Claude Monet.

Vésperas de Domingo


Uma xicará de café com leite, pouco sono, muito tédio, olheiras profundas... Falo comigo mesmo:

- Estou cansado dessa vida de vagabundo, segunda-feira, arrumo um trabalho!

Nessa noite, não fui à balada. Na verdade precisava cuidar das minhas decisões. É incrivel como sou decidido quando quero, isso acontece raramente, normalmente sou indeciso e deixo tudo pra lá. Minha mãe me diz que sou igual ao meu irmão mais velho, a minha avó paterna diz que sou igual ao meu pai, mas, caralho! Eu num sou uma pessoa única, sou igual a todo mundo que me antecedeu?

Minha mãe está na sala ouvindo música e lendo. No rádio, toca Elis..."Ainda somos os mesmos e vivemos, como nossos pais."

(Mais um da série ''contos''... Só lembrando, conto fictício. AbRrá)

Carta de um insone

Para Juliana, Luciana e
João Ricardo
Meu velho Marco, meu morto,

Ainda não me conformo com a tua morte! Não, eu nunca esperei que isso pudesse acontecer contigo...não parece verdade que você morreu, tão jovem com os seus 22 anos, nem acabaste a facul ainda e faltava tão pouco...

Escrevo-te nessa noite fria porque não consigo conciliar o sono diante de tantos quadros que se passam em minha mente. Lembro-me quando nos conhecemos, quando éramos crianças, do tempo em que brincávamos juntos, estudávamos juntos, enfim, uma amizade de longos anos, e que simplesmente eu acabei com ela.

Meu velho, como posso esquecer das nossas conversas, já na adolescência, sobre os diversos assuntos: política, futebol até, que na adolescência, falávamos daquela vizinha gata da rua do lado, e filosofávamos sobre nossas leituras... Kafka, Pascal, Brecht e João XXIII, aquele papa que tu tanto estimavas...realmente ele foi um excelente líder, não tenho nada que falar dele, tu já falavas tudo...

Não, meu amigo, tu não! Tu, meu amigo magricela, tão fervoroso, que tinha uma vida tão reta e correta, tu não merecias isso...Eu que sou o anarquista, pagão, pseudo-intelectualóide e porra-loca, eu que sou o errado e estou vivo, não me conformo como fui idiota. Confesso que tivemos muitas discussões e caras feias, mas tudo isso só fez com que eu te estimasse mais, caramba! Não consigo entender...

Tua doença, tudo tão rápido! Porque fui te desprezar, meu amigo. Não, tu não eras o fanático religioso alienado que eu pensava...e eu me afastei tanto de ti, fui tão hostil contigo e tão ausente na tua doença...no desenvolvimento do teu câncer, o que aconteceu comigo que estive tão cego? Como pude não me envolver nos teus problemas...O alienado era eu, o único alienado fui eu.

Agora tu dormes, meu velho, dormes o sono dos justos. Eu, agora, nem mais durmo...

Seu, se você assim ainda considerar, amigo,

Aurélio.

P.S.: Tua namorada ficou inconsolável no teu enterro, acho que ela realmente te amava.
P.S.S.: Penso sempre naquela frase, do Norman Douglas, a última frase que me disseste: " Para achar um amigo é preciso fechar um olho; para conservá-lo é preciso fechar os dois."
.
(Pessoas, pra esclarecimentos...esse é um conto fictício, certo? AbRrá)

Meme

E ai pessoas beleza?

Pois, estamos de volta com mais um ''meme", que me foi passado pelo Hélder do (A ótica de um míope). Valeu velho!

É o seguinte, galera:

I - Escolha uma banda;
II- Responda somente com os títulos das canções;

Parafraseando, Hercule Poirot... Madames et Messiers, apresentando...Capital Inicial by Luifel.

1. Descreva-se:Leve desespero;

2. O que as pessoas acham de você: Mais;
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3. Descreva sua última relação: Cai a noite;

4. Descreva sua atual relação: Incondicionalmente;

5.Onde você queria estar agora: Descendo o Rio Nilo;
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6.O que você pensa sobre o amor: Fogo;

7.Como é sua vida: Como devia estar;
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8.Se você tivesse direito a apenas um desejo: Independência;

9.Uma frase sábia: "Falar de amor não é amar"
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10.Uma frase para os próximos: "Não olhe pra trás"

Repasso este para:

*Blog de Garagem
*Deixa eu brincar de ser feliz?
*Pulchro - É sobre-humano amar

AbRrá!

Por um verdadeiro Estado de direito...

Não, meus senhores, os mortos não voltam. (...) e é melhor que assim seja...Que vergonha se voltassem!(...) Eles vão, e a gente fica, e ri, e canta, e deseja, e continua a viver! Mutilados, amputados, às vezes do melhor de nós mesmos (...). É uma miséria, é, mas é assim!”

(Os Mortos não voltam. In: As mascaras do destino, Florbela Espanca)


Estou lendo agora um livro de prosa da muito conhecida e aclamada poetisa lusitana Florbela Espanca. Embora pouco conhecida, a prosa dessa autora é muito boa. Achei essa citação que uso como preâmbulo para o meu protesto.

É vergonhosa a situação em que vivemos no nosso país. É triste ver o quanto as pessoas morrem à toa, sem motivo algum. Nossa vida não está sendo mais valorizada, agora morrer assassinado parece tão natural quanto uma morte qualquer, por velhice ou porque o nosso tempo na terra simplesmente acabou. Onde está a dignidade da vida? Que país é esse?

Diz-se que num Estado de Direito de verdade, a dignidade humana é respeitada tanto pela lei, que é responsável pela organização e manutenção da ordem num Estado, quanto as pessoas sabem respeitar as outras entre si, é verdadeiramente o conceito acabado de civilidade.

Quando li esse trecho do conto, percebi que ele refletia exatamente a forma como ficamos depois da morte de alguém que é muito querido a nós. Eu sempre acreditei que as pessoas que passam pela nossa vida são parte da nossa comunidade interior, passam a ser uma parte de nós. Essa comunidade interior é formada pela nossa família e os nossos amigos, quando alguém morre, parte de nós que era ligada àquela pessoa também morre. E o que sobra? Sobram muitos semimortos, um pouco zumbis. Não, um pouco não, sobram zumbis.

Parece-me, em alguns momentos que nesse país os ofícios religiosos não deveriam ser outros senão os de réquiem e ainda seria pouco. Com o tanto de mortes que temos, passaríamos o resto da nossa vida murmurando o “Requiescat in Pace” *. Mas será que realmente os mortos vão descansar em paz? Os que continuam vivos certamente tem uma grande batalha a travar pedindo justiça pelos seus mortos.

“É uma miséria, é, mas é assim!” conclui Florbela Espanca. É uma miséria ver que a nossa vida está rifada nas mãos de pessoas que recebem um pseudotreinamento para, segundo dizem, proteger a população. Proteger ou matar? Infelizmente é uma miséria essa nossa vida. Mas não podemos fazer nada? Podemos e devemos.

Temos que fazer alguma coisa! Já é o segundo caso em poucos dias. Os cariocas devem, por primeiro e, depois, todo o resto do país em cada um dos seus estados exigir JUSTIÇA. Estamos sendo injustiçados quando somos tratados dessa forma, quando temos nossa família mutilada ou até arrasada, quando temos medo de sair nas ruas por causa da violência, quando vemos nossos filhos, netos, sobrinhos morrendo pouco depois de nascer na maternidade por falta de recursos e médicos. Infelizmente não temos e não vivemos num Estado de direito...

Não temos e não vivemos um Estado de direito e por quê? Porque num Estado de direito, os pais não matam os filhos, os ladrões não matam policiais, o exército não entrega jovens para traficantes matarem, a polícia não mata inocentes, bebês não morrem às centenas numa Santa Casa na capital de um estado do país...

Num Estado de direito viveríamos dignamente. Teríamos um justo salário, teríamos segurança, saúde, educação e cultura. Seriamos melhores, viveríamos melhor... Num Estado de direito seríamos tratados como cidadãos, seria verdade a Civitas** que tanto idealizamos para cada um de nós, mas que infelizmente ainda não existe nem aqui e nem em qualquer lugar do mundo mesmo aqueles do primeiro mundo. Porque não é uma constituição que garante cidadania a ninguém. Cidadania verdadeira está muito além disso...e nós também temos nossa parcela de culpa, falarei disso em outra oportunidade...

E a gente continua a viver. Viver?! E será que estamos vivendo ou pouco a pouco estamos morrendo?

Rrá!

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* Citação latina que significa: ‘Descanse em paz’.
** Conceito latino que significa uma plenitude de cidadania.

Não era feliz!


"Tristeza não tem fim,
Felicidade sim!"

(A Felicidade, Tom Jobim)

Juan estava parado em frente da janela do seu quarto. Era uma manhã ensolarada apesar de ser inverno. Ele não se sentia feliz, se sentia meio triste e meio melancólico embora não soubesse bem o motivo para estar se sentindo assim, estava assim; desde muito tempo era assim, já havia se esquecido quando era mesmo que fora feliz.

Sim! Juan desejava ser feliz! Juan tinha tudo o que necessitava, assim viam os seus amigos e parentes. É verdade que a família não estava financeiramente bem mas, eles tinham o necessário para viver; viviam pacificamente, eram uma família feliz. Juan era um jovem, tinha amigos, saía pra balada, estudava e trabalhava, tinha acabado um namoro a pouco. Aos olhos dos seus amigos e dos seus pais não existia motivo para aquela infelicidade toda. Não! Não era o termino do namoro o motivo da sua melancolia; ele só não era feliz e tinha consciência disso.

Desde quando Juan não era feliz nem mesmo ele sabia! Ele desde quando se entendia por gente já vivia naquela melancolia característica. A mãe sempre percebera que o filho não era feliz mas, quando ela comentava, ele logo fugia do assunto. Ele olhava aquela paisagem cheia de prédios e pensava no mar de pessoas que, naquela cidade, eram como ele.

Numa tarde, no ônibus, Juan pensava em sua vida e teve um estalo ouvindo uma música. Ele percebeu que tinha que parar de viver a vida dos outros; de viver a vida que os outros queriam que ele vivesse. Ele deveria viver da forma como ele achava melhor. Desde esse momento Juan mudou. Juan era um homem livre!

Juan mudou radicalmente. Deixou de viver a vida dos outros e passou a viver a sua vida...e, até agora, é um homem feliz.

O que é a vida...

"A vida, (...), é uma enorme loteria; os premios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra. Isto é a vida; não há planger, nem imprecar, mas aceitar as coisas integralmente, com seu ônus e percalços, glórias e desdouros, e ir por diante"
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(Teoria do Medalhão In: Papéis Avulsos, Machado de Assis)

Não consigo conceber a vida como algo passivo, não sei se felizmente ou infelizmente. Não consigo conceber a vida como uma loteria, pois pra mim a sorte é algo passivo demais, algo que impossibilita a realização de uma atitude pra mudar o que supostamente dizem que o destino determina. Para mim, destino não existe, existe o livre arbítrio.

Apesar de tudo isso coloquei essa frase de um livro que estou lendo do Machado pois achei digna de uma digressão sobre a vida. É engraçado, a visão de Machado nessa situação. Como um amargo e sarcástico observador da vida humana, ele nessa citação soube captar bastante da essência da vivência humana, mesmo que eu não esteja absolutamente concorde com a afirmação que ele fez.

A vida realmente é algo que nos surpreende a cada dia que vivemos, mas não é uma loteria, pois eu sou livre e capaz de realizar aquilo que acho adequado e melhor pra mim. Sou eu o responsavel por buscar o melhor pra mim, por buscar alçar os meus objetivos, as minhas metas, o meu sucesso e também sou eu o responsável pelo meu fracasso. (Embora gostemos de atribuir a diversos fatores o nosso fracasso, principalmente).

Através da vida é que posso me tornar um ser medíocre ou ilustre, dependendo das escolhas que eu fizer e das atitudes que eu tomar.

Sim, é preciso aceitar os percalços e ônus, glórias e desdouros, mas mesmo assim, podemos agir de forma a transformar, como diz São Francisco de Sales, os problemas em ocasiões para o nosso progresso e maturidade.

Sim, os fracassos de uma geração de fato são fermento para que a outra possa crescer, sem dúvida! Isso é a sincronicidade da vida, aprendemos com os erros dos nossos ancestrais e nossos descendentes aprendem com os nossos e assim por diante...

A vida é algo tão controverso, complexo e surreal que poderia ficar aqui escrevendo horas e teria muito o que escrever sobre ela, o que posso dizer é somente que a vida, apesar de tudo é bonita, é bonita e é bonita, como diria nosso grande Gonzaguinha.

AbRrá!

Fim de semestre, fim de curso...

Acabou finalmente o semestre!
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Ontem, para um amigo nosso acabou o curso, ele apresentou e recebeu uma nota 10, fez uma apresentação brilhante e um TCC excelente também, no parecer da banca examinadora e de nós ouvintes.
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Quando eu comecei o meu curso na USP, os 5 anos de duração pareciam uma eternidade, pareciam, porque agora já estou no 4º ano, ingressando no oitavo período e já estou vendo todos os meus veteranos irem embora, ontem foi mais um deles...
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São nesses momentos que a gente percebe como não aproveitou a vida como deveria. A vida universitária deveria ser aproveitada ao máximo, dizem os meus professores, eles sempre pregavam o ''carpe diem" na vida acadêmica, mas nessa cidade louca como agir dessa forma, com trabalho e facul? E o tempo foi passando...
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É verdade que muitas vezes eu tenho vontade de acabar logo a facul, mas em outras vezes, eu quero ter mais tempo pra aproveitar... aproveitar o ambiente, as companhias, a convivência dentro desse lugar, tudo é bastante convidativo e único... e tão passageiro enfim...
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Tenho que correr rumo à meta de finalizar o curso, mas ao mesmo tempo quero tempo pra aproveitar melhor tudo isso. Quero viver intensamente a minha vivência universitária, pena que não tenho como voltar atrás.
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Rrá!
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Menção Especial: ao meu amigo Gledson... Parabéns pela conquista cara! Boa sorte nessa nova etapa e esteja sempre conosco nos Churras, EREBDs, enfim, você conhece as atividades doidas que esse povo todo doido do CBD promove, tipo (Bibliogame terça passada...huahua). Abç mulek.

Um futuro de paz...

Os jornais esses dias não param de falar do garoto assassinado pelo policial e da carta que a promotora que está sendo perseguida pelo Beira-Mar.

Diversos outros casos violentos que acontecem diariamente nos nossos países e que lemos nos jornais cotidianos, além do que todos nós moradores de grandes cidades como São Paulo, Rio, BH, entre outras que já convivemos normalmente com essa realidade. Mas a violência é algo normal? NÃO, violência não é normal.

Vasculhando algumas coisas que tenho guardadas no meu pendrive encontrei um escrito de um grande homem, um pacifista mundial bem conhecido chamado Roger de Taizé que escreveu assim, pouco antes da sua morte ocorrida em 2005:

“[...] Inúmeros são aqueles que aspiram hoje a um futuro de paz, a uma humanidade livre das sombras da violência. Se há quem, tomado pela inquietação face a um tempo incerto, se quede ainda imobilizado, há também, por todo o mundo, jovens cheios de vigor e de criatividade. Esses jovens não se deixam arrastar por uma espiral de melancolia. Estão conscientes disto: o que pode paralisar o ser humano é o ceticismo ou o desânimo.[...]” *

É surreal pensar que o homem ainda consegue manter esse desejo dentro de si. Todos os homens anseiam pressurosamente a PAZ mas, infelizmente, diante das dificuldades e das instabilidades humanas muitas vezes caímos no desânimo e isso é o que nos paralisa. Isso é o que não pode acontecer.

Se ansiamos por um futuro de paz temos que lutar por ele. Essa luta deve ser diária e constante. Um futuro de paz só se constrói com bases na reconciliação consigo mesmo e com os outros.

É preciso que passemos a aceitar e a amar os outros. Cada um de nós é uma fonte imensa de fraternidade e todos fomos criados para vivermos juntos. O homem hoje em dia vive apenas pensando naquilo que é melhor para si mesmo. É hora de partilhar! Hora de pensar no coletivo. Um futuro de paz se constrói assim!

Um futuro de paz se constrói amando. Quantas vezes encontramos as pessoas nesse mundo que a cada dia estão mais sozinhas, mais esquecidas. Quantas pessoas na nossa vida passam sem sequer chamar atenção. O mais interessante não é que a pessoa é insignificante mas, somos nós que fazemos dela um ser insignificante, porém, é o amor que dá sentido às coisas. Pare pra pensar um pouco e comece a amar o seu semelhante. Um ‘Bom dia’ ao seu vizinho vai fazer uma diferença gigantesca e é um tijolinho na construção de um futuro de paz.

Para construirmos um futuro de paz devemos ser agentes da paz e da confiança, onde existem antagonismos, angústias e infelicidade. Nossas atitudes devem ser como a das estrelas, que são luminares nas noites e que tornam o Céu noturno algo belo de ser visto.

Eu tenho pra mim esse lema: “não é a violência que tudo pode, é o amor que tudo pode”. **

E é assim que eu acredito que se constrói um futuro de paz!

AbRrá!
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* Schütz, Roger. Carta de 2005: Um futuro de Paz.
** JOÃO PAULO I, Angelus de 24.09.1978.