Machado e Carolina... [História: ciência ou fofoca?]

Para minha amiga Juliana, uma pseudo-historiadora e para minha amiga blogueira
Carla Menegat, uma historiadora de verdade.

Essa semana estive numa livraria aqui em São Paulo e me deparei com o livro "Almanaque de Machado de Assis". Como sou fã inventerado do 'Bruxo do Cosme Velho', fui folhear pra conhecer melhor o conteúdo pois, desde que vi o lançamento deste livro desejei tê-lo.

Lendo um pouco o livro percebi o quanto Machado e sua esposa Carolina tinham medo da especulação midiática e comecei a fazer um paradoxo meio sem lógica com a nossa história. Uma amiga minha da faculdade
[diga-se historiadora frustrada...huahuahua] diz que história não passa de "fofocas da corte"; eu, claro que discordo dela mas, diante desse livro comecei a pensar se ela não teria lá a sua razão.

A história, ontem e hoje, no fundo não seria um curso avançado pra conhecer fofocas do passado? E será que não vivemos a nossa vida baseada em bisbilhotice da vida pregressa dos nossos antepassados?

Por que nos importa tanto conhecer fatos intimos da vida dos outros? Será que no fundo não passamos de um bando de fofoqueiros, todos nós humanos?

AbRrá!

[Post redigido em 16.05.08]

Crédito da Figura: Rua Direita [atual 1º de Março] na cidade do Rio de Janeiro, século XIX . Retirado de: www.niteroiartes.com.br.

7 commenti:

carla m. { 25 de agosto de 2008 22:33 }
Luifel, querido, que lisonja!

Tenho que dizer que tu começou roubando minha piada de mesa de bar. Eu sempre digo que virei historiadora por que sou curiosa, logo, optei por direcionar minha vontade de saber para algo útil, ao invés de fofocar.

Mas nesse momento, em que eu escrevo uma dissertação que já tinha que estar pronta há seis meses, e olhando a imensa pilha de livros que estão aqui do meu lado, ameaçando desmoronar, feriria meu orgulho - profissional e pessoal, que nessas horas limites essas coisas não se separam - admitir que história é fofoca da corte. Até por que eu teria que ignorar o fato de que estou batalhando pra colocar no papel a carne e osso dos que estavam em batalhas. E as batalhas não são fofocas, nem as cifras econômicas que eu vejo nos inventários post-mortem.

Não estou pretendendo dizer que há uma utilidade na história. Para algo ser útil tem que ser usado, e isso foge ao alcance de quem produz, mesmo das intenções.

Mas seria bem mais fácil escrever fofocas da Corte. Vende mais também. Também não estou querendo dizer que as fofocas da Corte não fazem parte da História. Eis o ponto. Quem narra é cronista. Seja uma ficção seja uma realidade.

O historiador é mais pretensioso ainda, ele interpreta os vestígios que chegam até ele. E as fofocas são isso, são vestígios. Se eu ficar só nas fofocas, posso fazer um lindo livro de narrativa histórica. Mas que raios! Eu devia ter me abstido de formar opiniões! Por que é isso que o historiador faz.

Se só historiador faz história?! Claro que não! História é a ciência dos homens no tempo, já disse um francês importante pros historiadores. Os homens fazem a história do seu tempo, os cronistas narram histórias do seu e de outros tempos, o historiador, maldito, analisa.

Machado e Carolina tinham razão. Pior que sua intimidade ser exposta, é sua intimidade ser analisada. Não há obra mais coerente com essa perspectiva que O Alienista. Os historiadores se metem a serem alienistas dos idos por vezes. Por que como disse outro cara importante, às vezes um charuto, é só um charuto. Mas às vezes, ele pode ser o poder aquisitivo da pessoa, ele pode ser as relações comerciais, ele pode ser o lugar onde o cara está. E historiadores costumam não se contentar com o fato de ser só aquilo.

Eu já escrevi mais que teu post!!!

beijoca!
The Life of Guister { 25 de agosto de 2008 22:34 }
POis é tem uma certa lógica comparar o estudo dos resgistros deixados pelo homem no tempo com fofocas...

Mas o legal é quando analisamos realmente a vida do povo que sofreu a fofoca e percebemos que muitas vezes estamos cometendo os mesmos erros.

Por isso digo que história é o estudo para evitar burrices, pois errar uma vez é humano...
Leonardo Werneck { 26 de agosto de 2008 03:13 }
Fofoqueiros? Somos sim!!!

Abraços
Ultra Violet { 26 de agosto de 2008 10:33 }
Ihhh se eu falo mal de mim...

mas é legal de vez em quando fofocar sobre a vida alheia, só não é bom viver em função disso. Pois tem gente que esquece de si e passa a viver reparando os outros.

Bjs.
♥ღ♥ Joh ♥ღ♥ { 26 de agosto de 2008 14:02 }
gostei do que sua amiga disse! acabei concordando com isso! realmente a história não passa d um bando d fofocas! não q não tenha importância! mas no crú, é isso mesm! nõ passamos d bando d fofoqueiros mesm! a curiosidade maior é sempre sobre a intimidade dos outros! até está aí um motivo para ser blogueira! hehehehe! adoro ler biografias!
Filipe Garcia { 26 de agosto de 2008 16:52 }
É, pensando bem, acho que é mesmo por aí. É claro que a história tem sua devida importância, mas é dispensável saber se a rainha X tinha três amantes ou se o príncipe Y teve diarréia no dia de decretar a Independência de um país B. Acaba sendo divertido no final das contas, rs.

Abraço, Luifel.
giovana { 22 de setembro de 2008 03:46 }
Fofocar é viver... he he he