A liberdade e nossa necessidade de afeição...

"À medida que se reconhecer - espírito, mente e corpo -
como verdadeiramente amado, tanto mais livre você será (...)."

(A voz intima do Amor, Henri Nouwen)

Estava lendo esses dias o Blog do Leonardo (Sound of Silence) e no comentário acabei por me inspirar a escrever esse post que se colocou antes do que eu pretendia escrever, mas esse virá no futuro. Parei pra refletir sobre as minhas atitudes principalmente esses ultimos dias.

É incrível como no nosso mundo de hoje existe uma doentia necessidade de afeição. Parece que somos um bando de pessoas carentes que precisamos das atenções dos amigos, da família, da namorada, de qualquer pessoa e infelizmente somos assim, como humanos somos dependentes de amor.

Infelizmente, o problema não está nessa necessidade de afeição, mas em sermos extremamente orgulhosos nesse aspecto, principalmente nós homens, que não queremos em momento nenhum demonstrar nossa fragilidade nesse aspecto, mas também nós, seres do sexo masculino, temos essa mesma necessidade.

Queremos parecer seguros, estáveis, prósperos e felizes. Queremos ser para os outros o modelo acabado de pessoa equilibrada e perfeita, um modelo a ser imitado, quando, na verdade não é bem assim que nós somos; vivemos sob máscaras porque temos medo ao mesmo tempo em que temos tanta necessidade de sermos e nos sentirmos amados.

Infelizmente vivemos numa mentira, mas podemos deixar de vivê-la. É preciso deixar o coração falar ao coração. Sim, somos fracos e somos carentes e precisamos muitas vezes deixar que as pessoas saibam disso.

Sim, deixar com que as pessoas saibam da sua carência, dos seus medos e das suas angustias, da sua solidão, do seu desespero, não vai fazer de você uma pessoa fraca. Não!

Nós existimos para compartilhar, para partilhar e para ajudarmo-nos uns aos outros. Quando eu reconheço que tenho necessidades afetivas, passo a ser o senhor da minha afetividade, começo a trabalhar as minhas necessidades afetividas e, a partir daí, sei conduzir a minha vida de forma coerente e até alçar uma verdadeira liberdade.

Quando eu reconheço e passo a demonstrar a minha verdade, me abro ao amor que os outros podem me proporcionar, sem cobrar nada, sem exigir nada e começo a perceber de que forma as pessoas podem me amar, e também que amar não é necessariamente sinônimo de carícias, beijos e abraços, mas, que amar vai muito além...

Só não somos verdadeiramente livres e felizes, porque somos presas da nossa própria afetividade desregrada e, muitas vezes, mal conduzidas sob máscaras de falsa felicidade e segurança. Quando aprendermos nos reconhecemos necessitados de amor, saber de que forma demonstrar isso e nos deixarmos ser amados, deixaremos a hipocrisia e seremos verdadeiramente livres e felizes...

AbRrá!

[Post escrito em 28/07/08]

Felicitas per dies...


Para meus amigos Kazuo,
Andréa (Apocrypha) e Cássio.
Porque a busca de vocês, me inspira!


Vivem em busca desenfreada por felicidade

Querem dar sentido a sua busca

Correm, correm e se cansam,

Nessa agitada correria da cidade.


Vivem em busca da sua felicidade

Mas não sabem esperar por nada
Comem pouco, dormem pouco
Trabalham muito, se estressam muito

E vivem quase na insanidade.

Pára! Deixa de buscar como louco!
Ser feliz é viver o hoje.

Felicidade, não é agitação ou correria
É simplesmente, viver bem o dia-a-dia.

(Luifel)

Sobre as ideologias e o sonhar...


"Ninguém mais quer sonhar..."
(Bob Dylan)

Estavamos esses dias discutindo na faculdade sobre a falta de ideologias atualmente e o desaparecimento ou enfraquecimento das que existiam anteriormente. Concluimos que a ausência de ideologias tem sido um verdadeiro câncer para o homem moderno. Filosofia barata de universitário, eu sei disso.

Infelizmente, apesar de o que discutimos ser 'filosofia barata' ela tem seu fundo de realidade. Hoje o homem tem se tornado apático, tem perdido sua vitalidade e tem se acomodado, e cada dia mais sofre com as mazelas humanas.

Antes, os sonhos e as ideologias faziam o homem buscar algo e tentar mudar. Hoje, sob a prerrogativa de estarmos sendo racionais não mais idealizamos nada. As ideologias geram no homem espectativas e sonhos, os quais já não existem hoje.

Assistimos à derrocada do socialismo e de diversas outras ideologias e não mais aceitamos as ideologias. Em consequência, vamos nos tornamos dia-a-dia mais céticos, por fim deixamos de sonhar. E a sabedoria popular diz que quem não sonha, morre. Infelizmente estamos morrendo, masserados pelas nossa mazelas e dores. Os racionalistas dizem que sonhar é alucinógeno, é alienante, é ópio. Porém, a razão, não tem aliviado as dores dos homens, que tem cada dia mais aumentado o câncer da descrença e da desilusão que anda nos masserando, massacrando, esmagando dia após dia.

Penso que o sonho até possa ser talvez, uma endorfina da realidade, mas desconheço outro caminho para aliviar a dor de um doente de câncer que não a endorfina. É claro que cancêr se acaba com quimioterapia ou cirurgia, mas, infelizmente alguns dos cânceres existentes na humanidade são coisas necessárias para a sua manutenção, infelizmente! Ficar sofrendo inutilmente, já que esta dor é necessária ou procurar aliviar a dor?

Eu prefiro usar a endorfina do sonho para aliviar as dores, já que algumas destas são necessárias para a manutenção da sociedade. Prefiro viver sob a endorfina do sonho do que tentar enfrentar sem sucesso as dores dessa realidade masserante e opressora que fazem do homem um ser cada dia mais frio, amargo, descrente e infeliz.

Tudo isso é uma grande utopia, verdade! Porém excesso de realidade também mata, e eu quero viver!

Chegadas e Partidas

"Eu bem que mostrei a ela,
o tempo passou na janela
e só Carolina não viu. "

(Carolina, Chico Buarque)

De repente estou sentado num banco numa estação de trem. Vejo homens de terno, jovens de jeans e camiseta; mulheres de vestidos, saias, taillers. Vejo crianças brincando com seus brinquedos, vejo adolescentes em clima de romance; vejo homens e mulheres apaixonados, vejo outros ainda frustrados, sorumbáticos, sombrios.

Vejo vidas passando, desfilando sob o meu olhar atento. Uns correm, outros caminham devagar, todos vivendo ou tentando viver nessa doentia correria. Enquanto estou eu, sentado, admirando o tempo passar.

Os anos passam velozmente e me sinto como se estivesse sempre parado. Penso que o tempo anda passando e eu estou na janela só admirando, como a Carolina na música de Chico. Carolina não viu o tempo passar; eu vejo cada dia o tempo passar doloroso e suplicante. Pra ser franco, não sei exatamente o que faço aqui parado nessa estação de trem.

Talvez tudo não passe de um pesadelo, talvez porque eu tenha tantos medos, tantas dores, tantos fracassos nas costas. Quem dera fosse mentira, um simulacro, mas é tão real quanto esse banco, esse trem, esses homens e mulheres e crianças que me cercam aqui, agora!

E o trem não fica parado. Ei-lo partindo, seguindo seu rumo. Outros passageiros precisam desembarcar, só eu fico. Um dia eu chego no meu destino, quem sabe. Por enquanto eu vou esperando, esperando, esperando...