Por que que a gente é assim?



“Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, sem dramas
Por que que a gente é assim?”

(Cazuza, Por que que a gente é assim?)

Esses dias estive acompanhando o noticiário e, ao mesmo tempo, lendo um livro de Stephen King. É bem verdade que ele não é meu autor favorito e também que o gênero terror não é dos que mais me apetecem, mas foi interessante porque fui ler uma história desse estilo bem numa época do ano onde a maioria das pessoas está, de alguma forma, embevecidas pela chamada ‘magia do Natal’

Confesso que tive que parar o livro com um misto de horror e, ao mesmo tempo, um senso de realidade tão enorme que me assustou. Comecei a refletir, depois de acompanhar os últimos noticiários e, comparando outros fatos acontecidos durante esse mesmo ano com os escritos de King, percebi o quanto a ficção dele está ficando próxima da realidade. Não é de se pensar que, não muito longe, os romances dele se tornarão roman à clef*?

Relembrei um texto que li – há muito tempo – sobre o fato de o homem, a espécie humana, o homo sapiens ser tão violento, assassino dos seus iguais e, ao mesmo tempo, demonstrar uma capacidade de ser caridoso, amável, solidário & fraterno cada dia mais inativa... Por que que a gente é assim?

Violências como aquela que aquele padrasto fez de injetar agulhas num bebê de apenas dois anos de idade, as guerras de religião ou as guerras étnicas, o fato do ser humano ter simplesmente trocado o verbo AMAR por qualquer outro verbo oposto ao amor, à fraternidade, ao bem comum é o que está o transformando num troglodita.

Quero marcar o meu retorno ao mundo bloguístico, com essa elucubração sobre todo esse absurdo que tenho visto e lido. Quem acompanha os jornais, revistas, noticiários da TV consegue quedar sua cabeça no travesseiro otimista com o futuro do ser humano diante disso tudo?

Certamente, o aquecimento global é um assunto de importância capital para o futuro da humanidade, mas, e a violência que o ser humano pratica contra o seu semelhante, por que ela nunca é matéria de um encontro internacional do mesmo porte?

Tenho estado, a cada dia, mais descrente realmente do ser humano! Será que tudo isso tem solução ou a fraternidade é, de fato, o princípio que foi sendo esquecido pela humanidade desde a Revolução Francesa? Será que um dia a fraternidade vai desaparecer do mundo? O ser humano vai sobreviver a isso?

Não tenho respostas no momento presente, quero ainda acreditar que no futuro vai ser diferente, sei que só depende de mim, de você, de nós mudar isso!

AbRrá!

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* à clef: expressão francesa que significa ‘baseado em fatos reais’, portanto um roman à clef é um romance baseado em fatos reais.

Fim de jornada : solilóquios urbanos


"Preciso eu mesmo tomar consciência do que sou e do que significo nessa brecha de tempo"

  (Caio Fernando Abreu, Itinerário. 
In: Inventário do Ir-remediável)

Ser cosmopolita é algo que está além do meu pobre entendimento. Sentado, aqui, observo tudo e todos, gentes tão díspares e - ao mesmo tempo - tão semelhantes, diferenças que fazem um deslumbrante constraste e, repentimente, o diferente se torna belo porque em conjunto e, tomada sobre uma visão de conjunto fascinam.

Uns se beijam apaixonados enquanto dividem um sorvete, outros conversam sobre negócios, viagens, casamento, felicidade, plantas, filhos, preocupações do dia-a-dia... Pequenas e grandes esperanças! Repentinamente, o burburinho, o misto de vozes misturadas, assuntos misturados, sons, desejos, sorrisos..e quem sou eu?

World Citizen, diz a filosofia do mundo globalista. Eu, meu status, meu cargo, meu dinheiro, minhas conquistas, eu... e nada disso... nada disso sou EU, apenas informam o mínimo sobre mim, mas não me dizem quem sou. Who am I? Eu, bancário, advogado, estudante, engenheiro, trabalhador rural, office boy, operário...

Eu que visto calça, camisa e sapato, tenho a barba desgrenhada e por fazer como tantos outros. Coço o cabelo. Por favor, me vê um café!.. Enquanto fico fazendo as contas para pagar as dividas do final do mês.

Eu, neste emaranhado de gentes: lutas, desejos & sonhos. Tudo, todos & eu... Quem sou eu? Eu que tomo café, que tomo sorvete, que compro o jornal, que grito, que abraço, que choro, que chamo o garçom... Bevette più latte. Eu, que filosofo com um copo de breja, eu... C-O-S-M-O-P-O-L-I-T-A!

En cierta mañana un hombre ahogase en su próprio cuerpo. Como cosmopolita, sou nada e tudo, sou comum, sou parte dessa gente e, ao mesmo tempo, diferente, único. Qual meu lugar no mundo?

Eu e todos,
eu e ninguém,
eu sou todo mundo e sou ninguém.
Eu, citadino, cidadão do mundo!

Frammenti del mio essere...


[Para Estela Madeira, Lenin Campos, Thiago ‘Ya'agob’, Brayan
Cordeiro, Luciana Meira e Thiago ‘Ange’, eles sabem porque...]


Fragmentos que compõem meu ser...
É assim que eu vejo, esse meu mundo complexo e disconexo
Como um castelo em ruinas ou como cacos de vidro quebrado
Em pedacinhos, espatifados & esmigalhados...
Esses, fragmentos, que me compõe o ser.

Vida envilecida, carcomida, destruida que vejo,
Sonhos que apodreceram, emboloraram, morreram
Tento salvar os cacos, é como um afogamento,
Sem socorro, sem salva-vidas, sem saída...
E eu sinto medo!

Eis que surge, eu o vejo: um mundo a despontar num futuro radioso...
Que repentinamente, num segundo, se torna negro, retinto
E essa escuridão tão aguerrida, apertada
Afoga minha sede de infinito.

Estou meio cansado de ser quem eu sou
Talvez queira eu, me perder de mim...
Porque tenho a impressão de que sou meu pior inimigo
Eu mesmo me prejudico...
Mas mal algum posso fazer a outrém, só a mim, a mim

Fragmentos, panos rotos, cacos de vidros
Sonhos envilecidos, desejos, esperanças vencidas
Quisera construir um castelo, mas hoje, aos cacos vive a minha vida
Mas continuo, firme e forte, porque tudo sempre tem saída
E porque só o Incompreensível é infinito.
Fragmentos, fragmentos...porque a vida não pára, nunca!

(Luifel)


[Notas: Esse poema nasceu um pouco de mim e um pouco da experiência desses amigos que tem o poema dedicado a si. Talvez eles encontrem falas deles aqui, mas é isso mesmo, porque o que eles vivem, quiça tambem também vivo eu, porque eles são fragmentos que compõem meu ser...]
.
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Créditos da imagem: “Fragmentos”, fotomanipulação by Ricardo Biancarelli. Disponível em: rbiancarelli.wordpress.com/2007/09/01/fragmentos/

Um mundo unido depende de nós!


"Ponham na cabeça uma idéia só. Sempre foi uma idéia só que fez os grandes [...]
E a nossa idéia é esta: Unidade!"
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(Chiara Lubich, Carta de 01º.01.1947. In: A unidade e Jesus Abandonado)

Tenho observado a turba de acontecimento dos ultimos tempos. Uma verdadeira guerra civil no Irã, um golpe militar em Honduras, a violência que assola as cidades brasileiras, as perseguições religiosas na Índia; ao mesmo tempo, pude assistir as homenagens à Nelson Mandela... E, nos ultimos dias, na comunidade que eu participo, estavamos em alvoroço para comemorar as 5 décadas da chegada do nosso louco e apaixonante Ideal nestas terras.

Num mundo marcado pelo ódio, pela violência, ainda é possivel um mundo novo? A humanidade está dilacerada! Dilacerada pelas guerras, destruições, divisões, discórdia, violência, dor, miséria, preconceito... É lastimável a situação em que vivemos atualmente; tudo está sendo motivo para discórdia, absolutamente tudo: cristãos lutam contra muçulmanos, existem perseguições étnicas, religiosas... A tão sonhada fraternidade universal, um mundo unido, ainda é somente sonho pregado nos livros, nos pulpitos, mas está longe de ser alcançado por quê?

Há alguns séculos atrás, jovens intelectuais franceses começaram a pregar um mundo novo, a partir da razão e suscitaram a revolução num país e até chegaram a lançar as sementes do seu ideal pelo mundo, mas fracassaram porque usaram as armas erradas e, no final, a busca do bem comum deu lugar ao terror, à balburdia, à morte e à destruição massiva de uma grande parcela da população. O bem comum foi trocado pelo interesse de poucos. O uno foi trocado pelo individual!

No início do século XX, outros jovens, agora russos, levantaram um país contra a opressão de um sistema, usaram o poder intelectual, as armas de guerra, a politica; o resultado foi uma ditadura opressora e diamentralmente oposta aquele sonho que motivou a revolução vermelha pelo mundo. Novamente prevaleceu o interesse de poucos em oposição ao interesse da maioria.
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Dizemos querer fraternidade e igualdade, mas no fundo só interessa mesmo tudo que esteja a serviço do nosso próprio eu, a serviço dos nossos interesses, do nosso lucro, do nosso bem e não do bem comum. Um mundo unido não existe porque somos falsos, hipócritas, mentirosos!

Há 50 anos alguns jovens desembarcavam no Brasil para uma maravilhosa loucura. Faziam parte de um grupo de jovens que, apesar de não ter qualquer escopo sonharam com um mundo novo, unido, onde tudo isso que presenciamos de mal não existiria. Seguiram, deram tudo de si e não desistiram. Lutaram, não com política, não com idéias intelectuais, não pela força... mas pelo AMOR!

Hoje, é verdade que não alçaram a plenitude desse sonho, nem aqui e nem no mundo, mas plantaram aquela semente nesta nossa terra e essa semente ainda está viva!

Essa semente plantada agora já germinou e começa a dar frutos aos poucos, e me fazem pensar: alcançar esse sonho é possível! Essa sonhada fraternidade e igualdade são verdades e não utopias baratas. Elas só não são de grande alcance porque o alcance desse sonho e o avanço deste Ideal depende de mim. A globalização do amor, esse mundo unido e novo, só será alcançado comigo, com o meu esforço, com o meu trabalho...com o esforço e o trabalho de cada um de nós!
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Crédito da imagem: Alguns dos primeiros jovens que vieram para o Brasil implantar o Ideal do mundo unido. © Focolares Brasil

La mia clandestina felicità...


[a partir do conto ‘Felicidade Clandestina’ de Clarice Lispector]


Mais perto quero...
Porque longe a sinto sempre e mesmo
Vendo, tocando, sentindo, presenciando
A felicidade parece clandestina para mim...

É leve como pluma,
Forte como a ventania, é um furacão...
Porém não presente em minha vida
É ela alheia, clandestina no coração...

Pareço pressenti-la e pressinto
Em vão! Como demorei! Perdi!
Havia dor e orgulho em mim

Mais perto quero...
E desejo, sempre, mas ela..
Continua ausente em mim...

(Luifel)

Hipócritas, cretinos, necessitados de amor...


Enfim, depois de quase 4 meses longe daqui -- exceto pelo hiato do post sobre a Páscoa -- eis-me de volta ao mundo blogueiro. Foi um tempo que parei porque estava, fazendo a minha ‘journey to daybreak’. Nesses poucos meses aconteceu uma metamorfose de 180º na minha vida que as pessoas que me acompanham neste blog poderão perceber, com o passar do tempo.

Porém, o assunto do post não é a minha ausência e nem as mudanças que ocorreram na minha vida, mas os eventos que aconteceram no mundo da música pop, mais precisamente, a última homenagem ao cantor Michael Jackson.

Um colega meu, escreveu em seu twitter, enquanto acompanhava o evento: “Qual a medida de tanta hipocrisia no velório do MJ? [...] Sabe, essa é mesmo a sociedade do espetáculo.”

Fiquei então, depois de assistir às reportagens e de acompanhar a ‘via lucis’ que foi a morte do astro pop até o sepultamento e a homenagem póstuma ocorrida no dia de ontem me perguntando: afinal porque é que somos assim hipócritas, cretinos, amáveis?

Somos hipócritas! Criticamos os erros de uma pessoa, chegamos a esfregar o rosto dela na lama porque ela, segundo pensamos, não age de acordo com aquilo que acreditamos ser o verdadeiro, o correto e o ético; mas, atrás das nossas faces de éticos e morais, escondemos perversidades que fariam corar a face de Barbablu* que deve ter vergonha das nossas atrocidades.

Somos cretinos! Cretinice é o nome que podemos dar a tantas pessoas que semanas atrás julgavam Michael Jackson como o monstro pedófilo, o negro que embranqueceu, o infeliz com síndrome de Peter Pan, um verdadeiro doente... Ontem, homem doce, candido, humanitário; pessoas choravam rios ao ouvirem Steve Wonder, Mariah Carey interpretando músicas da carreira artistica do cantor... Entre fãs e críticos, todos viraram fãs...cretinos, somos todos, cretinos!

Somos necessitados de verdadeiro amor! Michael Jackson mostrou exatamente isso. O reverendo Al Sharpton afirmou: “Quero que seus três filhos saibam: seu pai não tinha nada de estranho. Seu pai teve que enfrentar coisas estranhas, mas as enfrentou”. Michael Jackson foi fruto do seu meio.

Um pai monstro, uma realidade social preconceituosa, sectarista e hipócrita, carencia de amor verdadeiro, sim... Michael foi exemplo das culpas que nós, como sociedade, carregamos. Fomos nós que transformamos Michael no andróide que ele se tornou, porque o estabelecemos num tal patamar de superioridade que quase o deificamos, mas o homem não nasceu para ser Deus, mas para ser homem.

O homem não é Deus, não sabe ser Deus. O homem foi criado para ser amado e não para ser idolatrado. Michael Jackson foi muito idolatrado e pouco amado, por isso, o menino prodígio negro tornou-se o andróide branco que morreu recentemente. E a culpa é de quem? Nossa! Somos nós os culpados. Nós que somos hipócritas, cretinos, dignos de ser amados e necessitados sempre de verdadeiro amor.


AbRrá!

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* Barbablu - forma que Padre Pio, santo católico, denominava o demônio. Também adotada pelo autor deste blog para denominar o inimigo de Deus.

Páscoa, ser novo!


Desdobra-se no Céu
Rutilante aurora
Alegre, exulta o mundo [...]

(Hino das Laudes, Domingo de Páscoa)


A Páscoa é sempre um tempo que se ressalta o caráter da renovação, tema sempre muito em voga quando falamos do caráter interior do homem. Nossa vida, acredito, sempre é um processo de recomeços. Estamos dia a dia, começando um novo. Novo dia, novos desafios, nova oportunidade de ser melhor, ser feliz, consertar nossos erros, ser uma pessoa melhor e a Páscoa é isso.

O interessante é aprender, com este tempo, a ser uma pessoa nova. Para ser um homem novo, é preciso deixar o atual estado de vida e passar a ser uma pessoa ‘in status nascendi’. É preciso desarraigar-nos dos nossos presente velho e começar a construir algo realmente novo.

Para mim este tempo é também um grande novo! Tudo o que estou vivendo está colaborando com isto, parece que tudo se encaminha para esse novo. O antigo parece não satisfazer as ânsias do meu espírito, que tem buscado cada dia mais coisas novas. Sinto que hoje preciso ser um homem que não fui, tomar atitudes novas, correr atrás de viver algo novo de novo.

Está nascendo o homem que eu devo ser a partir de agora. O que fui ontem não é o que devo ser sempre e por isso estou em plena mudança. De fato, não sei se este novo vai me satisfazer como o passado me satisfazia e o presente me satisfaz, mas, sei que, embora mesmo querendo resistir, é tempo de recomeçar.

Penso que a insatisfação, na vida de muitas pessoas, está no fato de elas pararem na vida e não caminham para o novo. O fato de ficam sempre no velho, se contentarem com o que vivem e não buscarem ser diferentes produz um estado de estagnamento em suas vidas. Porque o novo, sempre, é o que nos faz crescer e renascer a cada dia da nossa vida!

Feliz Páscoa! Que o novo renasça na vida de todos. Que o homem novo nasça das cinzas que o velho deixou. Que o Espírito de Deus, o sempre Jovem, traga o vento renovador para a vida de vocês.


Crédito da Figura: Ícone ‘Anástasis do Pantokrator’, (do grego, Ressurreição do Todo-Poderoso). Ícone muito interessante de ser conhecido o significado de cada uma das figuras, mas não é o objetivo desse post.

Difusa confusão


[poema criado a partir da observação do quadro
de Van Gogh, apresentado neste post]



Sinto, estou confuso!
Confusão não seria a correta sensação, talvez desordem
Desordem, bagunça, não!
É algo mais difuso
Como um prisma de sensações e sentimentos
Que posto a luz do sol, se difunde, se divide
Sim, estou confuso, é algo tormentante
Porque minha confusão
É profusa, confusa, profunda!

(Luifel)

Crédito da Imagem: The Starry Night, Vincent Van Gogh.

Notas avulsas...


Para ser feliz

Ser simples, não só ajuda

É o caminho!

Crédito da Imagem: retirada de www.crystalyacht.com/images.

Esperança frustrada?


“Vamos nos reconstruir, vamos nos restabelecer.”

(Barack Obama,
Discurso proferido em 24.02.09)



Ontem à noite, um amigo no MSN comentou sobre um discurso que o presidente dos EUA, Barack Obama, fazia e que meu amigo, fluente no idioma inglês, estava assistindo via net. Chego hoje ao trabalho e me deparo com uma manchete no jornal: “Confiança desaba e Obama prega otimismo no congresso”.

Desde a eleição desse presidente, tenho me questionado até onde Obama pode fazer tudo aquilo que esperam dele. Já pontuei - pra mim mesmo - que deve existir algum equívoco no que está acontecendo. Não! Eu não sou e nem quero ser pessimista, mas parece alvoroço demais, colocar todas esperanças, num homem que não me parece ser, nada mais, que um homem comum e não uma ‘mente brilhante’.

Bom, me parece às vezes, que o mundo pensa que Obama é Lincoln ou Roosevelt, mas - é bom lembrar - Obama não é nenhum deles e, o mundo em 2009, não é o mundo do início do século XIX ou da década de 30 do século XX.

Alguém pode pensar: esse presidente já está decepcionando? Do ponto de vista da economia, as reportagens da mídia mostram que a medida adotada pelo presidente ainda não surtiu efeito, porém, é interessante ponderar que faz apenas um mês que o presidente foi empossado e me parece que – frequentemente - cobram dele, posturas de um presidente que já tem um bom tempo na Casa Branca.

Não quero defender e nem criticar o presidente yanque, mas me pergunto: Obama agora é Deus? Segundo aqueles que creem - entre os quais me incluo - somente Deus é onipotente. Será que colocar nas mãos de um homem, que como disse antes – não me parece ser uma ‘mente brilhante’ – todas as esperanças de resolver o problema da crise mundial, não é atribuir-lhe algo do qual ele não é capaz de resolver sozinho?

Fico sem encontrar respostas, ainda...

AbRrá!


P.S.: Estou me aventurando no ramo da crítica, porém, me acho totalmente inapto para isso!

Una giornata di Luifel (by Twitter)


[06:00] Ouvindo Bebel Gilberto e tomando banho.
[07:30] [No ônibus, em pé] Queria estar fazendo alguma coisa mais interessante!
[09:00] Ninguém consegue chegar a tempo nessa cidade, aff!
[11:29] Queria fazer algo muito bom para sair da rotina. Aceito sugestões!
[13:28] [Abrapira] Tem dias em que o melhor a ser feito é esperar a noite. E só.
[14:18] [Luifel reply Abrapira] Concordo plenamente e aliás, ainda digo que nesses dias não deviamos sequer sair de casa.
[15:00] [Chuva se formando. Luifel sem guarda-chuva esperando o ônibus a 1h30] Porque falta de sorte pouca é bobagem!
[16:15] Chegar em casa e estar sem chave, não tem preço!


[Luifel sem paciência não registrou o restante do seu dia no Twitter]


Crédito da imagem: Montagem sobre fotos da cidade de São Paulo (by Wikipédia)

Uma irônica verdade

(basta clicar na figura para aumentar)

Utopias: ópio do povo?


Coincidentemente, pela manhã, peguei para ler o livro ‘Opressão e Liberdade’ da ativista social e filosofa francesa, Simone Weil. Ao chegar ao trabalho - lendo o jornal - vim a saber que hoje, celebra-se o centenário dessa filósofa.

Lembrei-me então de uma conversa que tive com uma amiga sobre a nossa concepção da visão esquerdista. É interessante pensar na capacidade que temos de defender com ‘unhas e dentes’ nossos ideais e de criticar e até, achincalhar, se for preciso, os outros e seus ideais.

Marxistas consideram alienados os direitistas. Ateus se avocam livres e ilustrados frente aos que creem, apoiando-se na frase de Hegel que diz que “a religião é o ópio do povo”. Simone Weil, num dos discursos de ‘Opressão e Liberdade’ afirma que “a ‘revolução’ é o ópio do povo”. Eu penso que, na verdade, as utopias é que são o ‘verdadeiro’ ópio do povo.

Todas as linhas de pensamento – sejam doutrinas ou não – estão permeadas das falhas humanas. Da mesma forma que já afirmei num post anterior [vide
Conspiração (ou busca) da Felicidade... ] esquecemos que erramos, que os outros também erram e que tudo é passível de falhas e vivemos de utopia. Defendemos de tal forma nossos ideais que consideramos os outros os reais alienados da história mas, no fundo, somos todos alienados porque vivemos de utopia.

O cristianismo, o budismo, o islamismo (doutrinas religiosas) bem como, o marxismo, o capitalismo, o anarquismo (doutrinas políticas) são permeadas de utopias que - de certa forma - tem uma confluência entre si mas, infelizmente, não somos capazes de enxergar isso e por isso entramos naquela eterna guerra de pensamentos que só se resolve a partir do princípio da ‘não discussão’ afinal de contas, como diz o senso comum: futebol, religião e política não se discutem.

A partir disso, concluir que somos todos alienados não é difícil. Inexistem verdadeiros ‘ilustrados’, porque a verdade é algo que possui várias vertentes. Aquilo que julgamos ser a ‘verdade’ absoluta, capaz de libertar o homem da ‘alienação’ é tão utópica e possui tantas alienações quanto a ‘verdade’ que outrem defende. No fundo sabemos disso, mas não queremos aceitar.

Temos sempre a utopia de ‘iluminar’ a mente de outrem a partir daquilo que consideramos como verdade absoluta, de que o mundo seria muito melhor se fosse vivido a partir daquilo que nós acreditamos ser o melhor para todos, que os homens viveriam melhor sem aquilo que o outro acredita.

Vendo isso, parece-me claro como o dia que, o verdadeiro ópio do povo são de fato, as utopias, porque elas são as únicas capazes de mover o homem numa direção sem fazê-lo desviar pra direita ou pra esquerda, as únicas que não permitem ver a essência positiva que existe no pensamento do outro, que não permitem que ao homem abrir nossa visão afim de ver aquilo que o outro vê, senão da forma que ele vê, mas buscando os pontos positivos naquilo que ele vê.

As utopias, também cabe dizer, são forças motrizes capazes de transformar um homem num grande altruísta ou num grande monstro e tem tal capacidade de fazê-lo, que o homem a ela submetido dá tudo, inclusive a própria vida.

Diante disso, é fácil concluir que, de fato, as utopias são o verdadeiro ópio do povo pois, alienam de tal forma e com tal força que é com grande esforço que um homem consegue se desvencilhar dela, tal dificuldade é comparável talvez ao processo de desintoxicação de um viciado em narcóticos.

Bom, é mais ou menos isso! AbRrá!

Na imagem: a filosofa e ativista social francesa, Simone Weil, cujo centenário do nascimento se celebra hoje.

Sempre avante num infinito nada...

Tenho as vezes pouca noção do tempo
Perco-me de mim mesmo em questão de segundos
Vago perdido em meus pensamentos...
Profundos, surdos, mudos
Tenho impressão que saí do mundo.

Estou perdido de mim mesmo,
Não sei onde me encontrar
Já busquei nos cinco continentes
Porém, em nenhum deles me achei!

Tenho medo, confesso
Medo de viver, medo de morrer
Medo de ser feliz, medo de sofrer
Medo de crescer, medo de estagnar
Medo de sonhar, de idealizar, medo de ser

Talvez eu não passe de um simulacro
Uma coisa dantesca e grotesca
Quem sabe? Juro que ainda não me conheço
Talvez porque, minha vida seja, no fundo...
Um ontem mal resolvido, ainda.

(Luifel)

Crédito da imagem: Nikolay Okhitin.

¡Para que la vida va adelante!


"Nothing's clear
I've come to no conclusions
Said and done

Is it all said and done?"

(November, Duncan Sheik)


Chegara em casa desnorteado. É bem verdade que a vida dele não andava lá essas coisas, mas sempre se tem a esperança de melhorar, tentar ser feliz, esses coisas clichês que nem sempre funcionam.

Pegou um cigarro pra fumar, afinal de contas, dizem que cigarro e sexo são as melhores coisas do mundo. Bom, não sabia dizer exatamente se concordava com a primeira afirmação, mas - a segunda - com certeza afirmava ser verdadeira.

Estava desiludido porque acreditara em um amor impossivel. Não culpava as pessoas, não culpava sua ex, não culpava ninguém afinal o único culpado era seu próprio coração que gostava de se firmar em sonhos não palpáveis.

Adormecera pensando que nunca mais deixaria se enganar de novo, por nada e por ninguém, nem por si mesmo. O relógio tocou. Era hora de acordar, se levantar e começar a caminhar novamente.

Triunfo da Democracia?

O assunto mais comentário no cenário político depois do pretenso cessar fogo dos israelenses e palestinos é a posse do novo 'todo-poderoso' presidente dos EUA, Barack Obama.

As TVs, as Rádios, a Internet vem insistindo em falar que a eleição desse novo presidente é o "triunfo da democracia". Nesse interim, comparo esse fato à experiência que tivemos a 3 anos atrás em nosso país e, também, com a experiencia vivida em outras pretensas 'democracias' do mundo desenvolvido e do mundo subdesenvolvido e me pergunto: será mesmo um "triunfo da democracia"?

Somos, nós - os homens - egoístas. A priori, pensamos somente ou inicialmente em nós mesmos e naquilo que nos beneficia. Importa sempre aquilo que é melhor para nós mesmos. Segundo amigos meus - remeto aqui a digressões uspianas com Robson Ashtoffen e Andréa Apocrypha - o altruísmo, a igualdade de direitos, só existe a partir do momento que convém a mim, como pessoa, o bem de outrém.

Será mesmo que num país tão prepotente - como os EUA - onde brancos e negros se relacionam de forma péssima e o preconceito existe às claras, onde os pobres latino-americanos são tratados como bichos, onde há uma imensa xenofobia para com outros povos; será que esse país onde o povo acredita ser 'senhor' dos outros povos está entrando numa nova era? Não será esse "triunfo da democracia" mais uma ilusão que a imprensa nos quer incutir?

Eu só vou acreditar que a democracia enfim triunfou em algum lugar, aliás - no seu berço - a partir do momento em que eu ver a democracia, existindo e, não somente de jure, como ela existe atualmente; mas, de facto, trazendo as mudanças sociais que tanto o povo americano, como todos os outros povos - que direta ou indiretamente poderão ser beneficiados com essa mudança - esperam. Aí poderei dizer que realmente o povo governa porque um presidente, de fato, governará para o seu povo, para o bem dos homens e ad maiorem demokratía gloriam*.

AbRrá!

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* do latim: Para a maior glória da democracia. Aforismo construido por mim a partir da máxima jesuítica "ad maiorem Dei gloriam".

Plus sur moi - Meme...

Pessoas,

Fui indicado para esse meme pelo meu amigo
Latinha (do blog "Tin Man"), e resolvi participar. Enfim, seguem as regras:

1)Linkar a pessoa que te indicou. 2)Escrever as regras do meme em seu blog. 3)Contar 5 coisas aleatórias sobre você. 4)Indique mais 5 pessoas e coloque os links no final do post. 5)Deixe a pessoa saber que você o indicou, deixando um comentário para ela. 6)Deixe os indicados saberem quando você publicar seu post.

5 coisas aleatórias sobre mim...

I - Eu adoro beber água. Água é simplesmente um elemento que faz o meu dia ser DIA! Não consigo ficar nenhum dia sem sentir a refrescante sensação de beber um copo de água. Não tente substituir por sucos, chás ou refri, eu gosto de água!

II - Eu já fumei maconha! Não uma vez só, mas por um considerável período de tempo a uns bons anos atrás. [Essa revelação acabou com a minha pose de bom moço pra alguns :P]

III - Eu sou viciado em Bebel Gilberto. Eu tenho quase toda a discografia dela no meu MP3. Só faltam algumas músicas de um CD que ela gravou em 1994 mas que eu, sinceramente, ainda não encontrei.

IV - Meu herói favorito desde a infância é o Surfista Prateado. Uma das minhas metas ainda é ter tudo o que ja foi publicado dele no país.

V - Sou um apaixonado pela civilização Asteca. Já li e - continuo lendo - tudo o que é publicado sobre esse povo fascinante. Já tive uma cidade imaginária do SimCity 3000 que denominei de Tenochtitlán, que foi a capital dos Astecas. Sou tão aficcionado por eles que - nas minhas aulas - vivo corrigindo meus professores de arqueologia quando eles vão escrever o nome desta cidade! :P

E agora, meus indicados são:

Vento na minha vida




[a partir do poema 'Canção do vento e
da minha vida', de Manuel Bandeira]


Ontem ventava, hoje venta mais!
A árvore balouçava e o barco seguia seu rumo - sozinho...
Esse mesmo vento que conduzia o barco, hoje venta a minha vida...

Varre sonhos, varre planos, varre...
Mas não me deixa sem nada.

Traz-me vida, força &
Traz-me esperanças!

(Luifel)

Odiosa guerra fratricida...

"Nunca houve uma guerra boa nem uma paz ruim."

(Benjamim Franklin)

Cada dia que leio o jornal contemplo, com horror, os fatos no Oriente Médio. Desde que terminamos a IIª Guerra Mundial e os judeus foram 'repatriados' essa guerra nunca mais acabou. Ela vai e volta num ciclo interminável e odiável.

A tradição judaico-cristã, avoga para os judeus a posse dessa terra, assim como a tradição muçulmana, avoga para os palestinos a posse desta mesma terra, e a guerra nunca termina, é eterna. Isso me fez pensar até onde vamos a partir daquilo que acreditamos.

Nossas convicções pessoais devem ser seguidas a todo custo, pois é a maior prova de fidelidade ao seu ideal - assim diz François Van Thuan - um homem que lutou contra o socialismo, mesmo estando preso numa prisão vietnamita. Mahatma Gandhi ainda diz que: "Acreditar em algo e não o vivê-lo é desonesto."

Eu - porém - fico pensando: até onde devemos ser fiéis aos nossos ideais? Até onde nossos ideais devem ser de certa forma 'traídos' em favor de uma concórdia para todos, como no caso da guerra Palestino-Israelense?

É absurdo que a paz entre duas nações seja tratada como assunto de convicção pessoal. Até quando vamos tratar o futuro de um povo e, quiça, do mundo todo, a partir de um paradigma pessoal?

Essa guerra é totalmente sem fundamento, é ilógica! Por que importa tanto a Israel a posse dessas terras da Faixa de Gaza? Eles não podem, sensatamente, ceder essas terras aos palestinos? Para mim, isso - apesar de todas as convicções pessoais, etnológicas e religiosas - não passa de uma odiosa guerra fratricida!

Bom, é mais ou menos isso!

AbRrá!

Uma viagem de autoconhecimento...


"A verdadeira viagem do descobrimento não consiste em
ver novas paisagens, mas em ter novos olhos."

(Marcel Proust)

Apesar das esperanças que se renovam no começo de um novo ano, tenho estado frustrado com a falta de perspectivas de futuro que tenho e também porque existem algumas coisas que eu gostaria que fossem diferentes no tempo presente. Mas - feliz ou infelizmente - a gente não tem controle sobre a totalidade da nossa vida e isso e, no fundo, é bom.

É interessante defrontar-nos com o nosso limite. Isso acaba fazendo perceber até onde podemos ir, por onde podemos ir e entender as vezes o rumo da nossa vida nas circunstancias da vida que estão longe do nosso alcance controlar.

Dias atrás, enquanto conversava com o um amigo, percebi que eu na verdade eu tenho vivido concorde a um ditado indiano que passei a apreciar muito desde o momento que o ouvi. O tal ditado diz: "Quem é o cego, o homem que não pode ver um mundo novo".

Eu estou cego ou estava ficando cego. A vida - de fato - não precisa concorrer de acordo com tudo que eu desejo. Se assim fosse, as surpresas da vida e tudo aquilo que está fora do nosso controle perderiam o seu sentido de existir e, a nossa vida, caminharia dia a dia para o tédio.

Percebi então que, antes, interessa tentar fazer o melhor daquilo que - na minha vida - está ao meu alcance controlar. A partir daí, perceber que um mundo novo está sempre a minha frente, eu só preciso estar de olhos abertos para enxergá-lo.