Esperança frustrada?


“Vamos nos reconstruir, vamos nos restabelecer.”

(Barack Obama,
Discurso proferido em 24.02.09)



Ontem à noite, um amigo no MSN comentou sobre um discurso que o presidente dos EUA, Barack Obama, fazia e que meu amigo, fluente no idioma inglês, estava assistindo via net. Chego hoje ao trabalho e me deparo com uma manchete no jornal: “Confiança desaba e Obama prega otimismo no congresso”.

Desde a eleição desse presidente, tenho me questionado até onde Obama pode fazer tudo aquilo que esperam dele. Já pontuei - pra mim mesmo - que deve existir algum equívoco no que está acontecendo. Não! Eu não sou e nem quero ser pessimista, mas parece alvoroço demais, colocar todas esperanças, num homem que não me parece ser, nada mais, que um homem comum e não uma ‘mente brilhante’.

Bom, me parece às vezes, que o mundo pensa que Obama é Lincoln ou Roosevelt, mas - é bom lembrar - Obama não é nenhum deles e, o mundo em 2009, não é o mundo do início do século XIX ou da década de 30 do século XX.

Alguém pode pensar: esse presidente já está decepcionando? Do ponto de vista da economia, as reportagens da mídia mostram que a medida adotada pelo presidente ainda não surtiu efeito, porém, é interessante ponderar que faz apenas um mês que o presidente foi empossado e me parece que – frequentemente - cobram dele, posturas de um presidente que já tem um bom tempo na Casa Branca.

Não quero defender e nem criticar o presidente yanque, mas me pergunto: Obama agora é Deus? Segundo aqueles que creem - entre os quais me incluo - somente Deus é onipotente. Será que colocar nas mãos de um homem, que como disse antes – não me parece ser uma ‘mente brilhante’ – todas as esperanças de resolver o problema da crise mundial, não é atribuir-lhe algo do qual ele não é capaz de resolver sozinho?

Fico sem encontrar respostas, ainda...

AbRrá!


P.S.: Estou me aventurando no ramo da crítica, porém, me acho totalmente inapto para isso!

Una giornata di Luifel (by Twitter)


[06:00] Ouvindo Bebel Gilberto e tomando banho.
[07:30] [No ônibus, em pé] Queria estar fazendo alguma coisa mais interessante!
[09:00] Ninguém consegue chegar a tempo nessa cidade, aff!
[11:29] Queria fazer algo muito bom para sair da rotina. Aceito sugestões!
[13:28] [Abrapira] Tem dias em que o melhor a ser feito é esperar a noite. E só.
[14:18] [Luifel reply Abrapira] Concordo plenamente e aliás, ainda digo que nesses dias não deviamos sequer sair de casa.
[15:00] [Chuva se formando. Luifel sem guarda-chuva esperando o ônibus a 1h30] Porque falta de sorte pouca é bobagem!
[16:15] Chegar em casa e estar sem chave, não tem preço!


[Luifel sem paciência não registrou o restante do seu dia no Twitter]


Crédito da imagem: Montagem sobre fotos da cidade de São Paulo (by Wikipédia)

Uma irônica verdade

(basta clicar na figura para aumentar)

Utopias: ópio do povo?


Coincidentemente, pela manhã, peguei para ler o livro ‘Opressão e Liberdade’ da ativista social e filosofa francesa, Simone Weil. Ao chegar ao trabalho - lendo o jornal - vim a saber que hoje, celebra-se o centenário dessa filósofa.

Lembrei-me então de uma conversa que tive com uma amiga sobre a nossa concepção da visão esquerdista. É interessante pensar na capacidade que temos de defender com ‘unhas e dentes’ nossos ideais e de criticar e até, achincalhar, se for preciso, os outros e seus ideais.

Marxistas consideram alienados os direitistas. Ateus se avocam livres e ilustrados frente aos que creem, apoiando-se na frase de Hegel que diz que “a religião é o ópio do povo”. Simone Weil, num dos discursos de ‘Opressão e Liberdade’ afirma que “a ‘revolução’ é o ópio do povo”. Eu penso que, na verdade, as utopias é que são o ‘verdadeiro’ ópio do povo.

Todas as linhas de pensamento – sejam doutrinas ou não – estão permeadas das falhas humanas. Da mesma forma que já afirmei num post anterior [vide
Conspiração (ou busca) da Felicidade... ] esquecemos que erramos, que os outros também erram e que tudo é passível de falhas e vivemos de utopia. Defendemos de tal forma nossos ideais que consideramos os outros os reais alienados da história mas, no fundo, somos todos alienados porque vivemos de utopia.

O cristianismo, o budismo, o islamismo (doutrinas religiosas) bem como, o marxismo, o capitalismo, o anarquismo (doutrinas políticas) são permeadas de utopias que - de certa forma - tem uma confluência entre si mas, infelizmente, não somos capazes de enxergar isso e por isso entramos naquela eterna guerra de pensamentos que só se resolve a partir do princípio da ‘não discussão’ afinal de contas, como diz o senso comum: futebol, religião e política não se discutem.

A partir disso, concluir que somos todos alienados não é difícil. Inexistem verdadeiros ‘ilustrados’, porque a verdade é algo que possui várias vertentes. Aquilo que julgamos ser a ‘verdade’ absoluta, capaz de libertar o homem da ‘alienação’ é tão utópica e possui tantas alienações quanto a ‘verdade’ que outrem defende. No fundo sabemos disso, mas não queremos aceitar.

Temos sempre a utopia de ‘iluminar’ a mente de outrem a partir daquilo que consideramos como verdade absoluta, de que o mundo seria muito melhor se fosse vivido a partir daquilo que nós acreditamos ser o melhor para todos, que os homens viveriam melhor sem aquilo que o outro acredita.

Vendo isso, parece-me claro como o dia que, o verdadeiro ópio do povo são de fato, as utopias, porque elas são as únicas capazes de mover o homem numa direção sem fazê-lo desviar pra direita ou pra esquerda, as únicas que não permitem ver a essência positiva que existe no pensamento do outro, que não permitem que ao homem abrir nossa visão afim de ver aquilo que o outro vê, senão da forma que ele vê, mas buscando os pontos positivos naquilo que ele vê.

As utopias, também cabe dizer, são forças motrizes capazes de transformar um homem num grande altruísta ou num grande monstro e tem tal capacidade de fazê-lo, que o homem a ela submetido dá tudo, inclusive a própria vida.

Diante disso, é fácil concluir que, de fato, as utopias são o verdadeiro ópio do povo pois, alienam de tal forma e com tal força que é com grande esforço que um homem consegue se desvencilhar dela, tal dificuldade é comparável talvez ao processo de desintoxicação de um viciado em narcóticos.

Bom, é mais ou menos isso! AbRrá!

Na imagem: a filosofa e ativista social francesa, Simone Weil, cujo centenário do nascimento se celebra hoje.