Fim de jornada : solilóquios urbanos


"Preciso eu mesmo tomar consciência do que sou e do que significo nessa brecha de tempo"

  (Caio Fernando Abreu, Itinerário. 
In: Inventário do Ir-remediável)

Ser cosmopolita é algo que está além do meu pobre entendimento. Sentado, aqui, observo tudo e todos, gentes tão díspares e - ao mesmo tempo - tão semelhantes, diferenças que fazem um deslumbrante constraste e, repentimente, o diferente se torna belo porque em conjunto e, tomada sobre uma visão de conjunto fascinam.

Uns se beijam apaixonados enquanto dividem um sorvete, outros conversam sobre negócios, viagens, casamento, felicidade, plantas, filhos, preocupações do dia-a-dia... Pequenas e grandes esperanças! Repentinamente, o burburinho, o misto de vozes misturadas, assuntos misturados, sons, desejos, sorrisos..e quem sou eu?

World Citizen, diz a filosofia do mundo globalista. Eu, meu status, meu cargo, meu dinheiro, minhas conquistas, eu... e nada disso... nada disso sou EU, apenas informam o mínimo sobre mim, mas não me dizem quem sou. Who am I? Eu, bancário, advogado, estudante, engenheiro, trabalhador rural, office boy, operário...

Eu que visto calça, camisa e sapato, tenho a barba desgrenhada e por fazer como tantos outros. Coço o cabelo. Por favor, me vê um café!.. Enquanto fico fazendo as contas para pagar as dividas do final do mês.

Eu, neste emaranhado de gentes: lutas, desejos & sonhos. Tudo, todos & eu... Quem sou eu? Eu que tomo café, que tomo sorvete, que compro o jornal, que grito, que abraço, que choro, que chamo o garçom... Bevette più latte. Eu, que filosofo com um copo de breja, eu... C-O-S-M-O-P-O-L-I-T-A!

En cierta mañana un hombre ahogase en su próprio cuerpo. Como cosmopolita, sou nada e tudo, sou comum, sou parte dessa gente e, ao mesmo tempo, diferente, único. Qual meu lugar no mundo?

Eu e todos,
eu e ninguém,
eu sou todo mundo e sou ninguém.
Eu, citadino, cidadão do mundo!