Por que que a gente é assim?



“Canibais de nós mesmos
Antes que a terra nos coma
Cem gramas, sem dramas
Por que que a gente é assim?”

(Cazuza, Por que que a gente é assim?)

Esses dias estive acompanhando o noticiário e, ao mesmo tempo, lendo um livro de Stephen King. É bem verdade que ele não é meu autor favorito e também que o gênero terror não é dos que mais me apetecem, mas foi interessante porque fui ler uma história desse estilo bem numa época do ano onde a maioria das pessoas está, de alguma forma, embevecidas pela chamada ‘magia do Natal’

Confesso que tive que parar o livro com um misto de horror e, ao mesmo tempo, um senso de realidade tão enorme que me assustou. Comecei a refletir, depois de acompanhar os últimos noticiários e, comparando outros fatos acontecidos durante esse mesmo ano com os escritos de King, percebi o quanto a ficção dele está ficando próxima da realidade. Não é de se pensar que, não muito longe, os romances dele se tornarão roman à clef*?

Relembrei um texto que li – há muito tempo – sobre o fato de o homem, a espécie humana, o homo sapiens ser tão violento, assassino dos seus iguais e, ao mesmo tempo, demonstrar uma capacidade de ser caridoso, amável, solidário & fraterno cada dia mais inativa... Por que que a gente é assim?

Violências como aquela que aquele padrasto fez de injetar agulhas num bebê de apenas dois anos de idade, as guerras de religião ou as guerras étnicas, o fato do ser humano ter simplesmente trocado o verbo AMAR por qualquer outro verbo oposto ao amor, à fraternidade, ao bem comum é o que está o transformando num troglodita.

Quero marcar o meu retorno ao mundo bloguístico, com essa elucubração sobre todo esse absurdo que tenho visto e lido. Quem acompanha os jornais, revistas, noticiários da TV consegue quedar sua cabeça no travesseiro otimista com o futuro do ser humano diante disso tudo?

Certamente, o aquecimento global é um assunto de importância capital para o futuro da humanidade, mas, e a violência que o ser humano pratica contra o seu semelhante, por que ela nunca é matéria de um encontro internacional do mesmo porte?

Tenho estado, a cada dia, mais descrente realmente do ser humano! Será que tudo isso tem solução ou a fraternidade é, de fato, o princípio que foi sendo esquecido pela humanidade desde a Revolução Francesa? Será que um dia a fraternidade vai desaparecer do mundo? O ser humano vai sobreviver a isso?

Não tenho respostas no momento presente, quero ainda acreditar que no futuro vai ser diferente, sei que só depende de mim, de você, de nós mudar isso!

AbRrá!

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* à clef: expressão francesa que significa ‘baseado em fatos reais’, portanto um roman à clef é um romance baseado em fatos reais.